Robson Fernandjes/AE
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USP? Ainda não

Estudantes que não concluíram o ensino médio se aventuram na Fuvest para ganhar experiência, mas rejeitam se inscrever como treineiros

Felipe Mortara, Estadão.edu

25 Abril 2011 | 23h37

Prestar um dos vestibulares mais concorridos do País, ser aprovado e não poder cursar. Mesmo sabendo disso, alunos que ainda não concluíram o ensino médio têm se inscrito na Fuvest como vestibulandos “reais”, não treineiros. Ficam sem a vaga, mas obrigam a fundação a divulgar listas de chamada cada vez maiores.

 

No último exame, 479 candidatos com esse perfil foram listados na primeira chamada. Segundo a Fuvest, o prejuízo a quem pode se matricular é “temporário”, já que são feitas até cinco chamadas para preencher todas as vagas. Mas um candidato pode ter sido prejudicado se não chegou à 2.ª fase por causa de um concorrente “virtual”.

 

Mesmo querendo fazer Engenharia de Produção, Rafael Costela, de 16 anos, aluno do Colégio Sion, prestou para Matemática. “Não fiz treineiro para ver como é o vestibular pra valer. Se o cara não passou para a 2.ª fase, não foi culpa minha. Saí em desvantagem por estar no 2.º ano.”

 

Mariana Lula, de 18 anos, que hoje está no último ano do ensino médio, quer uma vaga em Psicologia. Na última edição da Fuvest, prestou para Ciências da Atividade Física, que tem as mesmas matérias específicas do último dia da 2.ª fase de Psicologia, mas com concorrência bem mais baixa. “Valeu a pena a experiência de sentir como é a prova de verdade. Neste ano não vou ficar tão nervosa como alguém que nunca viu a Fuvest. E isso me deixa mais confiante.”

 

No entanto, ser aprovado em um curso de concorrência baixa pode iludir o estudante que ainda está se testando, alerta o professor Osmar Antônio Ferraz, coordenador de Vestibular do Colégio Bandeirantes. “Acho mais interessante para o aluno prestar como treineiro. Se ele quiser fazer para carreira, que seja em uma com concorrência média ou alta.”

 

Segundo estudantes que optaram por testar o exame "real", a pontuação mínima exigida para treineiros não permitiria que eles passasse para a 2.ª fase. “Pensei inicialmente em me inscrever como treineiro, mas fiquei receoso de não passar. Precisava de 43 pontos e, no fim, fiz 52. Acho que subestimei meu potencial”, afirma Pedro Sclavi, de 16 anos, aluno do Colégio Bandeirante que no, último vestibular, tentou vaga em Fonoaudiologia, visando a Medicina. Mudou de ideia e agora quer Administração de Empresas.

 

Após ter sido aprovado, Sclavi indica a prática aos colegas mais jovens. “Recomendo que alunos do 2.º ano façam treineiro ou se inscrevam numa carreira, tanto para se deparar com as circunstâncias da prova quanto para ver os resultados, analisar e se preparar e planejar seu ano seguinte.”

 

Mesmo virtual, a aprovação emociona pais. Mariana Guarda, de 17, aluna do Bandeirantes, sonha com uma vaga na disputada Medicina. Mas a relação de 49,25 candidatos por vaga a levou a arriscar Zootecnia, em Pirassununga, com concorrência de 6,28 candidatos por vaga. Quando soube que ela tinha “passado”, a mãe, a ginecologista Renata Guarda, bateu no carro da frente. “Costumo aplaudir as atitudes dela. Quando você faz as coisas na base do elogio, o resultado é melhor.”

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