USP ainda é o foco dos paulistas

Grade do ensino médio e dos cursinhos de São Paulo continua voltada para a Fuvest

Bárbara Ferreira Santos, de O Estado de S. Paulo,

24 Setembro 2013 | 08h19

Nos últimos cinco anos, o Enem se consolidou e se tornou o maior vestibular do País. Entretanto, para os alunos de São Paulo, o interesse principal ainda é no exame aplicado pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que seleciona para a Universidade de São Paulo (USP). Morar perto de casa, estudar na melhor universidade da América Latina e a influência dos pais são fatores que fazem os paulistas dedicarem mais horas de estudos para esse exame. A grade do ensino médio e dos cursinhos do Estado continua voltada principalmente para a Fuvest. 

 

“O fato de a USP ficar na principal cidade do País, que tem o maior número de habitantes, também acaba aumentando essa procura no Estado”, diz Alberto Francisco do Nascimento, coordenador de vestibulares do Anglo.

 

A divisão entre as duas provas se acentuou ainda mais quando a USP, há três anos, deixou de utilizar o resultado do Enem, alegando incompatibilidade de calendário. 

 

Na preparação desde cedo para os vestibulares, muitos paulistas que hoje passam em universidades federais acabam até desistindo de cursar uma graduação em outro Estado para se preparar melhor para a Fuvest. É o caso de Lethicia Gomes, de 18 anos, que foi aprovada em Psicologia na Universidade Federal de Viçosa, em Minas, mas decidiu fazer mais um ano de curso preparatório, no Cursinho da Poli, para tentar a Fuvest novamente. “Meus pais não me deixaram ir para Minas porque os gastos seriam maiores e por causa da distância, já que sou filha única”, conta. “Desde que estou na escola sei que a USP é a faculdade mais importante do País.” 

 

Raquel Arbex, de 18 anos, também quer estudar na USP desde pequena. Ela faz cursinho no Objetivo e se prepara para o vestibular de Medicina. Vai fazer o Enem para a seleção da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que tem um sistema misto para esse curso, com notas do exame nacional e um vestibular próprio. “Para quem quer fazer Medicina, a USP ainda é a referência. A Fuvest, no entanto, é mais difícil e demanda mais estudo do que o Enem”, diz. 

 

Mudança. Os coordenadores de cursinhos e colégios explicam que a Fuvest não deve deixar de ser o foco dos paulistas, mas dizem que o Enem vem se fortalecendo. O número de ex-alunos matriculados em federais fora do Estado está aumentando, dizem. “Hoje o Enem é a segunda opção no Etapa, atrás apenas da Fuvest. O simulado do Enem, em número de dias, hoje é maior que o da Fuvest”, afirma Edmilson Motta, coordenador do Curso Etapa.

 

A aproximação dos alunos do Enem aumentou principalmente depois que as universidades federais de São Paulo - Unifesp, UFSCar e UFABC - aderiram ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

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