USP acionará Justiça contra fechamentos de portões no Butantã

Para reitoria da universidade, bloqueio em câmpus contraria decisão de reintegração de posse obtida em 24 de julho

Paulo Saldaña e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

07 Agosto 2014 | 15h46

Atualizada às 20h18

SÃO PAULO - A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) informou que vai comunicar à Justiça o fechamento dos portões da Cidade Universitária na manhã desta quinta-feira, dia 7. A universidade entende que a ação comandada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) contraria decisão judicial de reintegração de posse concedida no dia 24 de julho. Os três portões do câmpus Butantã, na zona oeste, ficaram fechados pela manhã. Às 13h, a portaria 3, na Avenida Escola Politécnica, continuava interditada.

"O fechamento dos portões, que prejudica as atividades administrativas e acadêmicas da universidade no dia de hoje (quinta-feira, 7) e se caracteriza como descumprimento da liminar", afirmou a USP, em nota. Segundo a instituição, a liminar se refere a todos os prédios da Cidade Universitária.

Em assembleia à tarde, os grevistas prometeram intensificar os protestos. No dia 14, eles pretendem fazer um ato no Palácio dos Bandeirantes.

A paralisação já dura mais de 70 dias. Funcionários e professores entraram em greve após a reitoria - em conjunto com a Unesp e a Unicamp (as outras duas universidades estaduais de São Paulo) - decidir pelo congelamento dos salários dos funcionários e professores por causa da crise financeira pela qual a universidade atravessa. 

‘Trancaço’. Segundo o Sintusp, cerca de 600 pessoas participaram do ato nesta quinta-feira, 7, que começou às 5h30 com o “trancaço” das portarias. Alunos, funcionários que não aderiram à greve e até gente de fora da USP tentaram entrar no câmpus, sem sucesso. A doméstica Evanilde Gonçalves, de 39 anos, teve de pular o portão com o filho Luiz, de 11, para levá-lo à Escola de Aplicação, onde ele estuda. “Eu nem trabalho aqui, não tenho nada a ver com isso. Mas ele tem uma viagem da escola e não queremos perder”, disse. A estudante francesa Laurie Chesnel, de 22 anos, foi surpreendida pelo bloqueio. “Na Poli (Escola Politécnica), as aulas têm ocorrido normalmente, não pensei que haveria isso”, disse ela, que faz estágio para dupla titulação em Engenharia Civil.

Após o bloqueio, o grupo realizou uma passeata pelo entorno do câmpus. O trânsito ficou complicado nas Ruas Corifeu de Azevedo Marques e Vital Brasil. A manifestação só acabou às 13h50, na frente do prédio da reitoria, onde há um acampamento em apoio à greve.

“Para nós, a prioridade agora é reverter os cortes, depois é ter a certeza de abertura de negociação”, disse Marcelo Pablito, um dos diretores do Sintusp. O ato também pediu a liberação do ativista Fábio Hideki, aluno e funcionário da USP. “Foi desmascarada a farsa da polícia, demoraram mais de um mês para verem que achocolatado não era explosivo”, disse Pablito.

Corte de ponto. A reitoria defende ainda que o corte no ponto dos salários dos grevistas tem como base a lei n.º 7.783/1989, artigo 7.º.

Em nota, a instituição afirmou que o ato de ontem contraria a decisão judicial. “O fechamento dos portões prejudica as atividades administrativas e acadêmicas da universidade no dia de hoje e se caracteriza como descumprimento da liminar.” Segundo a USP, a liminar se refere a todos os prédios da Cidade Universitária.

A folha de pagamento já representa 105% dos repasses do Estado para a universidade, motivo pelo qual, diz a reitoria, seria impossível dar reajuste. Para o funcionário Reinaldo Souza, de 27 anos, falta transparência à gestão do reitor Marco Antônio Zago. “Ele diz que não tem dinheiro, mas não abre as contas da universidade”, defende. Nova reunião entre os reitores e trabalhadores está marcada para o dia 3 de setembro.

No câmpus de São Carlos, no interior, um grupo também bloqueou ontem a entrada de veículos do local. 

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