Uso de laptops em sala de aula exige reformulação na escola

Participantes do UCA acreditam que currículo e projeto pedagógico devem ser profundamente alterados

Fabiana Cimieri, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2008 | 19h23

O uso de laptops em sala de aula transforma a escola e exige uma reformulação profunda do currículo e do projeto pedagógico, concluíram os professores e pesquisadores das cinco escolas-piloto do projeto Um Computador por Aluno (UCA), do Ministério da Educação. Eles se reuniram nesta sexta-feira, 25, no Rio, para debater o resultado das experiências que fizeram no último ano, desde o início do projeto.   Segundo a organizadora do evento, a professora Denise Vilardo, "a idéia é aproveitar a troca de informações para reunir um conjunto de boas práticas que podem vir a ser implementadas nas próximas 300 escolas que irão receber os laptops". A ampliação do programa, prevista para acontecer até o final do ano, depende da conclusão de licitação que está em andamento.   Desde o final de 2006 - ano em que o projeto UCA foi criado - escolas de cinco cidades brasileiras realizaram testes com 1.390 laptops de três modelos, todos doados pelos respectivos fabricantes: o Classmate PC (da Intel/Positivo), o Mobilis (da indiana Encore Software), e o XO (da fundação One Laptop Per Child), também chamado de "laptop de US$ 100", cujos exemplares foram os primeiros a chegar ao Brasil.   A coordenadora do projeto em São Paulo, Roseli Lopes, pesquisadora da Universidade de São Paulo, disse que a maior dificuldade na Escola Municipal Ernâni Silva Bruno foi como distribuir os laptops. A escola tem 1.200 alunos e tinha apenas 400 computadores. A idéia inicial era trabalhar apenas com algumas turmas, em que os alunos receberiam uma máquina cada.   "Foi impossível porque eles questionavam os critérios e reivindicavam o laptop", disse a coordenadora pedagógica Edna Telles, que acabou tendo que organizar um esquema de agendamento e rodízio entre os alunos. A professora Roseli enfatizou a necessidade de o governo exigir que os laptops sejam equipados com softwares livres e de código aberto. "Vimos que ao trazer os computadores para sala de aula, temos que refazer os projetos político-pedagógicos", disse ela.   A coordenadora do projeto em Palmas, no Tocantins, Leila Ramos, disse que na Escola Estadual Dom Alano Marie Du Noday a experiência com os laptops também exigiu profundas transformações na aprendizagem. Os tempos de aula aumentaram de 45 minutos para duas horas. "Se não era o tempo de ligar e desligar e acabou a aula", explicou.   A disposição das carteiras também mudou. Em vez de ficarem enfileirados, os alunos se reagruparam de quatro em quatro. "Dessa forma eles compartilham suas descobertas e interagem melhor". Além disso, disse ela, os alunos passaram a buscar outras tecnologias para aproveitar melhor os novos recursos. "Eles começaram a trazer filmadoras e celulares de casa para fazerem vídeos".   Um projeto que inicialmente consistia em selecionar as notícias da internet e montar um jornalzinho do interesse dos alunos acabou despertando a vontade de um grupo de alunos de criar o jornal da escola. A experiência do Rio Grande do Sul, realizada na Escola Estadual Luciana Abreu, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) conseguiu atingir a meta de um computador por aluno. Eles podiam inclusive levar o laptop para casa.   Além de e-mail, os alunos têm acesso a um ambiente virtual e podem escrever num blog, diário virtual hospedado no servidor da escola. A universidade forneceu cursos de formação, oficinas tecnológicas e material didático para os professores.

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