Urbanização tornou o Brasil mais escolarizado

A transformação do Brasil, no meio do século passado, de país rural para urbano, teve reflexo direto no perfil educacional na população. No mesmo período que as cidades cresceram, acelerou-se a queda nas taxas de analfabetismo. Hoje, o índice é cinco vezes menor do que há 80 anos e este é o dado mais significativo da análise da Educação dentro das Estatísticas do Século XX, publicação lançada nesta semana pelo IBGE.Em 1920, 65% dos brasileiros de 15 anos ou mais não sabiam ler e escrever. Em 2000, o índice era de 13%. A urbanização fez aumentar o número de alunos, de escolas, de professores e de universidades.Não é coincidência, portanto, que a maior queda do analfabetismo tenha acontecido na década de 50, quando a transição do rural para o urbano se intensificou. Neste período, o percentual de analfabetos caiu 11 pontos.Desempenho ruimApesar de todo avanço, o Brasil ainda tem 15,5 milhões de brasileiros analfabetos e 35 milhões de analfabetos funcionais. O problema ultrapassou o século 20 e hoje a alfabetização de adultos é apontada como uma das prioridades do governo federal.O Brasil ainda tem mau desempenho na comparação com outros países, inclusive da América Latina. Em analfabetismo está atrás, por exemplo, da Venezuela, da Colômbia e da Costa Rica, sem falar nos países economicamente semelhantes, como o Chile.A diminuição no analfabetismo é conseqüência da explosão no número de matrículas no antigo ensino primário (quatro primeiros anos do atual ensino fundamental)."O conjunto de dados mostra a transição desde um sistema educacional reduzido, típico de uma sociedade predominantemente rural, para o atual sistema de ensino de massas", diz o sociólogo Carlos Hasenbalg, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), responsável pela análise dos dados de educação.UrbanizaçãoNo espaço de 35 anos entre 1933, quando o País ainda era predominantemente rural, e 1968, já urbanizado, o número de alunos matriculados no primário mais que quintuplicou, passando de 2,1 milhões para 11,9 milhões. "Os fatores demográficos por trás desse crescimento são o crescimento populacional e a rápida urbanização, particularmente nas décadas de 50 e 60", acrescenta o professor.De fato, se em 1950 a população urbana era de apenas 18 8 milhões de pessoas (36% do total), em 1970 chegava a 52 milhões (56%). Em 2000, a urbanização alcançou 81,1%, com 138 milhões de brasileiros vivendo nas cidades.Para atender ao aumento da demanda, com a urbanização, houve também um rápido crescimento do número de professores de todos os níveis, passando, em 20 anos (de 1933 a 1953) de 80 mil para quase 240 mil.O corpo docente brasileiro chegou ao fim do século com 2 milhões de professores, do fundamental à universidade. Em 40 anos, o número de professores universitários ficou nove vezes maior, passando de apenas 19 mil em 1959 para 173,8 mil em 1999.InimaginávelO primeiro anuário estatístico do País, referente apenas à capital - à época o Rio de Janeiro -, mostra uma realidade inimaginável nos dias de hoje. Em 1907, o primeiro ano com algum registro educacional, apenas 346 estudantes concluíram um curso superior. Em 1912, o número passou a 543.Os meninos eram maioria entre os que completaram o ensino primário nestes dois anos. Já em 1933, a relação inverteu-se: 72 mil meninas concluíram o primário, contra 67,6 mil meninos.

Agencia Estado,

30 de setembro de 2003 | 13h37

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