Univesp promete abrir 21 mil vagas para cursos a distância em 4 anos

No meio de 2014, após ganhar autonomia, a universidade realizou vestibular para 3 mil vagas próprias em Engenharia e licenciaturas

Júlia Marques, O Estado de S. Paulo

29 Julho 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Criada há cinco anos, a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) já abriu cerca de 17,7 mil vagas em cursos de graduação, extensão e pós a distância, sempre em parceria com as três universidades estaduais (USP, Unesp e Unicamp) e o Centro Paula Souza. Até 2017, planeja aumentar o número de vagas - quer ofertar mais 21 mil apenas com cursos próprios, sem contar os dados em conjunto com as outras instituições.

O crescimento da Univesp está ligado ao seu credenciamento no Conselho Estadual de Educação, em 2013. Graças a ele, a universidade pode agora oferecer cursos autônomos. No meio deste ano, a instituição realizou seu primeiro vestibular, com 3,3 mil vagas em Licenciaturas (Matemática, Física, Química e Biologia) e Engenharias (da Computação e de Produção).

Segundo o presidente da Univesp, Carlos Vogt, os novos alunos das Licenciaturas e das Engenharias terão dois anos de ciclo básico antes de iniciar o estudo da área específica. “A vantagem prática é que, ao acabar a graduação, o estudante pode voltar e fazer um novo curso, em menos tempo”, explica Vogt.

Nos novos cursos será utilizada a metodologia de Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL, em inglês), comum em universidades de ponta nos Estados Unidos. Os alunos serão divididos em grupos de seis estudantes cada e deverão buscar soluções práticas para os problemas apresentados. “O objetivo é integrar a realidade profissional com a temática que o aluno está estudando”, diz o diretor acadêmico da Univesp, Waldomiro Loyolla. 

Como o curso é a distância, o estudante faz as leituras e as atividades indicadas em casa e participa das aulas presenciais a cada 15 dias, em um dos 42 polos do Estado. Nos polos também ocorrem atividades práticas em laboratórios e provas. 

Faixa etária. Diferentemente do perfil de alunos que fazem graduação presencial nas universidades públicas - no último vestibular da USP, pouco mais da metade dos aprovados tinha até 17 ou 18 anos -, a Univesp atrai estudantes mais velhos. “Queremos dar atenção à parcela da sociedade que não teve condições de fazer um curso superior”, diz Loyolla.

Edgardo Zilli, de 54 anos, não esconde a ansiedade para começar o curso de Engenharia da Computação. Aprovado em primeiro lugar no polo de Cidade Dutra, zona sul de São Paulo, esta será a primeira vez que ele estudará em uma universidade pública. Zilli, que é autônomo e trabalha com reforma de sacadas, chegou ao terceiro ano de Arquitetura em uma instituição particular, mas interrompeu a formação porque não tinha condições de pagar. “Por falta de estudo, trabalho como peão, mas poderia fazer um monte de outras coisas”, lamenta.

Sem condições de largar o ofício para se dedicar somente aos estudos, Zilli já se organiza para fazer as leituras e atividades a distância nas horas vagas, no trajeto para o trabalho e à noite. “Vou agarrar essa chance com unhas e dentes.” 

A tendência de atrair alunos mais velhos não é nova. Em Licenciatura em Ciências, oferecido em parceria com a USP, cerca de 50% dos alunos são professores em exercício. “A média é de 38 anos, bem acima da de um aluno típico da USP”, diz o coordenador-geral do curso, Gil da Costa Marques.

Apesar do argumento de que o ensino a distância democratiza o acesso à educação, há críticas ao sistema. “O ensino é uma atividade social que necessita da presença para que haja diálogo, contestação. A formação inicial, em qualquer nível educacional, precisa ser presencial. As pessoas têm o direito à formação presencial de qualidade, independentemente da idade”, defende o professor César Minto, da Faculdade de Educação da USP.

Loyolla rebate e diz que o curso a distância, quando dado com qualidade, é em geral mais intenso que o presencial. “Quem acha que educação a distância vai ser moleza escapa nas duas primeiras semanas.”

Aluna do último ano de Licenciatura em Ciências, a professora Franciane Campanerut, de 35 anos, já era formada em Química quando optou por fazer a graduação a distância para completar a formação. “Foi bem mais difícil do que eu pensava. Demanda mais tempo e mais disciplina”, conta. “Nós estudamos de madrugada. É comum encontrar com os colegas online para fazer as atividades tarde da noite.”

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