Universidades vão até os pacientes

Se a comunidade não pode ir até a universidade, são os projetos que se deslocam até quem precisa de atendimento ou ajuda. Mesmo que isso signifique ir para o Xingu, em Mato Grosso. Ou visitar o carente Marsilac, no extremo sul da capital paulista. Não há distância que impossibilite o auxílio. Alunos e professores da Unisa, em Santo Amaro, foram três vezes este ano a Marsilac para ver as condições de saúde e nutrição das crianças. Eles realizaram o trabalho na Escola Estadual Regina Miranda Brant de Carvalho, nos turnos da manhã e da tarde. ?Da primeira vez que fomos lá, percebi logo no caminho que havia muita taioba na região, que tem alto valor nutricional, vitaminas e é boa para pessoas anêmicas?, explica a professora titular de pediatria Lélia Cardamone Gouvêa, idealizadora do projeto. ?Acabamos ensinando as mães como usar a taioba.? No município, Lélia e seus alunos encontraram crianças com alto índice de desnutrição. A população pediu que eles voltassem. Da terceira vez, o trabalho teve como alvo crianças menores de 6 anos ? e suas mães, para as quais a pediatra falou sobre a importância do aleitamento. Estudos realizados pela Unisa mostram que apenas 70% das mães da região sul amamentam seus filhos por, no mínimo, seis meses. ?O leite materno é muito importante e reduz a incidência de várias doenças?, diz a pediatra. Orientações como essa Lélia também passa no Ambulatório de Aleitamento Materno, montado na Unisa em 1999. Para serem atendidas, as mães não precisam marcar consulta. ?A amamentação é uma questão de emergência. Então, quando ocorre algum problema, ele tem de ser resolvido logo, pois a criança depende do aleitamento.? Prova dessa importância é o 7.º Evento Comemorativo de Abertura da Semana Mundial da Amamentação, que será promovido pela universidade em 3 de novembro, no Sesc Itaquera. Nesse dia, haverá apresentação de uma peça de teatro sobre o tema e premiação para os mais belos bebês que mamam no peito. A festa conta com doações da Unisa, de alunos, professores e empresas. Quem quiser ajudar pode ligar para (011)5545-8813. Uma das pioneiras na prestação de serviços à comunidade, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) foi ainda mais longe. Em 1965, chegou ao Parque Indígena do Xingu, onde vivem 3.725 índios, e até hoje os auxília na área de saúde. Também já realizou mutirões para operação de catarata em Estados como Rondônia, Amapá e Amazonas. Em 2001, a ajuda chegou à aldeia Rio das Silveira, perto de Bertioga, no litoral. O projeto, que tem como objetivo melhorar a qualidade de vida dos índios guaranis, é um convênio com a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Uma das idéias é promover intercâmbios entre as aldeias do litoral e do Xingu.

Agencia Estado,

24 de outubro de 2002 | 19h49

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