Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Universidades públicas do Rio adiam mais uma vez início das aulas

UFRJ tomou decisão por falta de profissionais de limpeza; na Uerj não há dinheiro para pagar empresas responsáveis pela limpeza, segurança e manutenção

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

09 Março 2015 | 18h15

Atualizada às 20h46

RIO - Após corte de verbas, universidades públicas no Estado do Rio adiaram mais uma vez o início do ano letivo. Só nas duas maiores instituições, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), 92 mil alunos estão sem aulas. 

A UFRJ decidiu adiar a volta pela segunda vez por falta de profissionais de limpeza. “Balanço da situação apontou que a maioria das 63 unidades acadêmicas não teria condições de reiniciar as suas atividades segunda-feira”, diz nota publicada no site da universidade.

A decisão afeta 62 mil alunos de todas as faculdades da UFRJ, mais os matriculados no Colégio de Aplicação (CAp-UFRJ) e na Escola de Educação Infantil. As finanças da instituição foram afetadas porque o orçamento da União ainda não foi votado. O repasse de verbas tem sido feito por decreto. 

A universidade informou que a empresa Qualitécnica deveria arcar, por cláusula contratual, com o pagamento dos terceirizados por três meses, apesar do atraso no repasse. A empresa não se pronunciou e prometeu divulgar nota nesta terça-feira. 

Corte no Estado. As instituições estaduais foram afetadas com o corte de 20% do orçamento, determinado pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), no início do ano. Em nota, o reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves, creditou a transferência do início das aulas para 23 de março à “grave crise fiscal pela qual atravessa o Estado” e à “ausência momentânea de solução por parte do Estado para o problema de pagamento de empresas terceirizadas responsáveis pela limpeza, segurança externa e manutenção”. Os alunos deveriam ter voltado às aulas em 2 de março.

Com o corte, a Uerj atrasou o repasse para firmas de limpeza e segurança. No Pavilhão João Lyra Filho, sede no Maracanã (zona norte), só um terço do pessoal da limpeza tem trabalhado. A crise começou em 2014, quando o ano letivo foi interrompido mais cedo, em meio à greve de terceirizados da limpeza. A Uerj tem 28 mil alunos, mais 1.029 de seu Colégio de Aplicação.

O Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo), com 2.150 alunos, também adiou o início das aulas para 23 de março. Segundo a instituição, a diretoria estuda “novo processo de licitação para a contratação de equipe de limpeza”. 

O Estado não conseguiu contato com a Universidade do Estado do Norte Fluminense (Uenf) - os telefones foram cortados. A instituição teve redução de R$ 19 milhões do orçamento (de R$ 172 milhões para R$ 153 milhões). Pagamentos de contas de luz, água, telefone e de firmas terceirizadas de segurança e limpeza estão atrasados.

O governo estadual informou que o governador não comentaria a crise nas instituições de ensino superior no Estado. Em nota, a Secretaria de Fazenda do Rio informou que “vem se reunindo com os responsáveis pelas unidades gestoras do Estado para tratar das prioridades de pagamentos de cada unidade”. 

“A próxima liberação de recursos à Uerj será em 17 de março. As regras para quitação dos restos a pagar são definidas sempre no início do ano. Sairá um decreto informando a distribuição dos restos a pagar, estabelecendo as formas de pagamento, considerando principalmente as áreas prioritárias e despesas obrigatórias”, afirmou. 

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), com 18 mil alunos, adiou o início das aulas para o dia 16 depois que temporais causaram pane elétrica no câmpus em Seropédica (cidade na Baixada Fluminense). Os problemas afetaram a internet. Alunos novos não conseguiram se matricular. 

As aulas nas universidades federais do Estado do Rio (UniRio) e Fluminense (UFF) ocorrem normalmente. Só as escolas de Letras e Artes da UniRio reabriram nesta segunda, uma semana mais tarde, por causa de obras.

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