Cedê Silva/AE
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Universidades americanas querem mais estudantes brasileiros

Feira em São Paulo teve mais de 1.100 participantes em 58 estandes

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

02 Setembro 2011 | 14h39

Um número crescente de universidades americanas está interessado em atrair estudantes brasileiros. Realizada desde 2007 no País, a feira EducationUSA começou com 15 estandes. Nesta quinta-feira, 1º de setembro, eram 58 - entre eles o da Murray State University, do Kentucky, que por enquanto tem quatro alunos do Brasil, todos eles tenistas com bolsas de estudo para representar a universidade em competições.

Para Thais Burmeister Pires, coordenadora do EducationUSA da Alumni, centro oficial do governo americano para orientação de estudo nos EUA, faz tempo que as universidades querem mais diversidade nos câmpus, e ainda faltam alunos da América do Sul. Como a economia do Brasil vem melhorando, há mais alunos em condições de estudar fora. "O importante é começar a preparação cedo, com no mínimo um ano de antecedência", recomenda. Qualquer aluno pode procurar a Alumni e receber orientação, inclusive por telefone, e-mail e Skype. Outra dica é se inscrever para as 500 bolsas de graduação-sanduíche já abertas pelo programa Ciência sem Fronteiras, do governo federal. O processo é feito dentro de cada universidade e vai até o fim do mês.

Representantes das instituições americanas confirmam a empolgação com os brasileiros. Segundo Daniel Adams, diretor do centro internacional da Universidade de Michigan em Flint, "nossa experiência é que brasileiros são alunos da melhor qualidade e vêm muito motivados". Um deles, Felipe Andrez, acaba de tomar posse como presidente do governo estudantil. "Ele tem boas habilidades de liderança e tem sido um forte motivador", conta Adams. A universidade dele não exige o SAT para candidatos estrangeiros, mas pede o TOEFL. "Mas quem não sabe a língua também pode vir e comparecer a programas de inglês no começo da graduação". Muitos dos ex-alunos brasileiros estão hoje trabalhando nos Estados Unidos.

Megan Forbes, diretora do programa intensivo de inglês da Universidade da Flórida, conta que brasileiros trazem muita energia e um sentimento de família para o câmpus. Eles estão entre as maiores comunidades de estrangeiros na universidade. Para entrar lá, os candidatos não precisam fazer o TOEFL, mas devem enviar notas do SAT.

Cada universidade dos EUA tem um processo de admissão diferente, reitera Jose Santiago, diretor da ETS, maior organização de provas e avaliações do mundo. Para quem já é formado e busca a pós-graduação, o GRE é um dos testes mais comuns. O site da ETS oferece preparação grátis por meio de um software chamado PowerPrep.

Nos EUA, agora ou depois

Segundo os organizadores, 1.117 pessoas circularam pela feira. Dentre eles, Matheus Pacheco, de 19 anos, estudante de Relações Internacionais nas Faculades Integradas Rio Branco. Ele trabalha numa grande empresa de tecnologia e está interessado em programas de pós-graduação em Boston ou talvez na Califórnia, por causa do Vale do Silício. "Algo voltado para cadeia de produção ou área de sustentabilidade", conta. Seu colega Marlon dos Santos, de 21 anos, quer estudar no exterior ainda antes de se formar. Ele gosta de economia política, mas precisa tirar um certificado de inglês.

Um dos estandes mais concorridos era o da New York Film Academy. Por ali passou Nathalia Massani, de 17 anos, no 3º ano do Ensino Médio no Colégio Campos Salles. "Estou aqui para ver curso de teatro, em qualquer universidade", disse. "Vou tentar aqui no Brasil mas depois posso trancar a matrícula e estudar lá fora". Nathalia não começou os estudos para o SAT, mas estuda inglês.

Andressa Santos, de 16 anos e colega de Nathalia, quer fazer jornalismo voltado para produção, do tipo "por trás das câmeras". "Quero passar na USP, mas não sei se vou conseguir".

O peso de uma universidade estrangeira no currículo atrai Ana Paula Porto, de 17 anos, hoje no 3º ano do Colégio Madre Paula Montalt. "Posso ir pros EUA durante a graduação ou depois", conta. "Aqui, quero USP, Cásper Líbero ou UFRJ".

"O segredo é não ficar parado"

Lucas Brunialti, de 20 anos, cursa Sistemas da Informação na USP Leste. Passou pelos estandes da Carnegie Mellon e da Berkeley. "Quero uma universidade que me dê tecnologia de ponta", diz. Ele se forma em dezembro de 2012 e está interessado em programação de softwares inovadores e voltados para pessoas comuns, como o Facebook. Trabalhou com o Kinect, aparelho do Xbox 360 que reage aos movimentos dos jogadores. Em janeiro, embarca para a Califórnia para um curso intensivo de inglês. "Também fiz iniciação cientifica e recomendo a todos. Agora estou num estágio". Lá nos Estados Unidos, pretende visitar algumas universidades. "O segredo é não ficar parado".

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