Universidade reage e cobra radicalismo do governo

Provocados pelo ministro da Educação, Cristovam Buarque, que cobrou mais "radicalismo" e "tensão ideológica" nas universidades, professores e estudantes deram o troco. Veterano da chamada geração 68, o professor de ciência política da Pontifícia Universidade Católica (PUC) Miguel Chaia disse que o radicalismo é bem-vindo em todos os setores, não só na universidade."O próprio presidente Lula quebrou o radicalismo", disse. "A universidade vive de continuidade e o ministro continua uma política, iniciada no governo anterior, de instrumentalização do ensino superior."Membro do Diretório Central dos Estudantes da Universidade de São Paulo (USP), Márcio Rosa Azevedo também discorda do ministro. "O movimento estudantil está vivo, promovendo protestos como o dos estudantes secundaristas de Salvador e greves na USP", disse Azevedo, que tem o figurino de estudante engajado dos anos 60, com barba, chinelo e óculos."Discussão anacrônica"Essa discussão ideologizada é anacrônica, ainda mais partindo do ministro", criticou o coordenador do curso de Relações Internacionais da PUC, Reginaldo Nasser."Como diria o filósofo americano Emerson, a universidade deveria ter o lema ´Ouse Pensar´, o que realmente não ocorre, por falta de investimento do governo e da sociedade. Mas há coisas mais importantes a serem discutidas, como melhores condições de trabalho e a crise na USP, que não é mais referência nacional de qualidade."Apesar de classificar as declarações de propositalmente exageradas, o professor de ciência política da Fundação Getúlio Vargas Francisco Fonseca tende a concordar, em parte, com Cristovam. "A universidade se burocratizou, não é mais o centro das grandes reflexões. Perde-se mais tempo na disputa de poder e verbas do que com a produção do conhecimento."

Agencia Estado,

28 de novembro de 2003 | 17h11

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