Universidade, Ibama e ong unem-se em defesa da Ilha dos Lobos

Importante área de descanso e alimentação de leões e lobos marinhos, além de ponto de passagem para cetáceos (golfinhos, baleias e botos), aves e tartarugas marinhas, a Reserva Ecológica da Ilha dos Lobos, localizada em Torres, no Rio Grande do Sul, vem sofrendo pressões do turismo desordenado, pesca indiscriminada, embarcações e risco de contaminação por petróleo. Para avaliar este impacto e elaborar um plano de manejo que leve à manutenção da biodiversidade local, está sendo desenvolvida uma parceria entre a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Ibama e a entidade ambientalista Sea Shepherd Brasil. Iniciado em maio deste ano, o projeto visa também conseguir alternativas para manter o modo de vida das comunidades pesqueiras tradicionais da região, um dos principais pólos turísticos do litoral gaúcho. Segundo o biólogo Alexandre Castro, um dos coordenadores do projeto, essa a pesca artesanal já vem enfrentando a concorrência da pesca industrial. Com 17 mil metros quadrados, a Ilha dos Lobos é muito impactada pela pesca e turismo por estar a apenas 2 quilômetros da costa.Entre as atividades, está sendo realizado um monitoramento mensal da faixa de praia entre Tramandaí e Torres, litoral norte do Estado, para a identificação dos animais que freqüentam a região. Até o momento, foram identificadas um total de 25 espécie de aves, a maioria localizada entre os municípios de Imbé a Capão da Canoa. Foram encontrados, ainda, durante as vistorias, 90 redes de pesca fixas na área de estudo.Realizado por técnicos do Sea Shepherd e alunos de biologia da Unisinos, que fazem parte da Equipe de Emergência para recuperação de animais marinhos em derrames de petróleo, o trabalho inclui ainda a contagem dos pinípedes (lobos e leões marinhos) presentes na Reserva, entrevistas com os pescadores da região, assim como educação ambiental com a comunidade.Em cada monitoramento foram contados, em média, 20 indivíduos de leão marinho (Otaria flavescens) e 5 indivíduos de lobo marinhos (Arctocephalus australis) presentes na Reserva. Casto explica que a contagem na ilha é feita por circunavegação, sem desembarque. ?O número de animais na Reserva tende a diminuir no verão, mas não sabemos se é um fenômeno natural ou é por conta da grande presença de turistas?.Além disso, a equipe identificou, nesses primeiros seis meses de projeto, quatro embarcações pesqueiras dentro dos limites da Ilha dos Lobos, o que é ilegal. ?Pela legislação, os barcos não podem se aproximar além de 500 metros da Reserva, mas não existem bóias sinalizando. Por isso, a unidade de conservação, para ter sua proteção garantida, precisa ter um plano de manejo?, disse o biólogo. O monitoramento deverá continuar até o final de 2004 e, além do plano de manejo, deverá resultar no Mapa de Sensibilidade Ambiental da área.

Agencia Estado,

04 de novembro de 2002 | 12h50

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