Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

'Universidade é lugar para discutir drogas sem preconceito', diz organizador de evento na USP

Estudantes vão promover a Semana de Barba, Bigode e Baseado na Cidade Universitária

Juliana Dedoro, Especial para o Estadão.edu,

13 Abril 2012 | 21h45

SÃO PAULO - Alunos da USP que organizaram a Semana de Barba, Bigode e Baseado disseram nesta sexta-feira que não imaginavam a repercussão do evento, marcado para ocorrer entre segunda e sexta-feira na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), na Cidade Universitária. "O evento incita muito mais a discussão do que o uso de qualquer droga", diz Caetano Patta, de 23 anos, aluno da Ciências Socais e colaborador da Frente Uspiana de Mobilização Antiproibicionista (Fuma), organizadora da semana.

 

Para Caetano e seu colega do 5.º ano, Leôncio Silva, integrante do Fuma, o debate que surgiu nas redes sociais após a divulgação do evento mostra que a questão da legalização da maconha está em pauta e precisa ser discutida pela sociedade. "A questão da legalização das drogas está sujeita ao preconceito, mas a universidade é o lugar onde isso precisa ser discutido", afirma Caetano. Segundo ele, a Fuma usou de ironia para chamar a atenção das pessoas e levantar o debate de forma menos agressiva.

 

A frente foi fundada no fim do ano passado, em meio aos protestos surgidos após a Polícia Militar flagrar três estudantes com maconha na FFLCH. Alunos invadiram o prédio da diretoria da faculdade e, depois, o da reitoria da USP.

 

Leôncio, de 22 anos, diz que o objetivo do evento é discutir a "autonomia sobre o próprio corpo". "Não é uma questão de endeusar uma substância, mas abordar o assunto de forma mais abrangente."

 

Na segunda-feira, 16, serão apresentados documentários sobre drogas e mulheres que vivem no mundo do tráfico. As sessões serão exibidas no Espaço Verde, um sala da FFLCH, a partir das 20 horas. No dia seguinte, será a vez da noite do fumo, que, "para efeitos jurídicos", terá "apenas orégano, substância lícita". Os organizadores afirmam que não serão fornecidas drogas no local.

 

O convite para o evento é feito pelo Facebook. Professores da USP estão entre os palestrantes anunciados na rede social.

 

No último dia de discussões, previsto para a próxima sexta-feira, será realizada uma cervejada na faculdade. O dinheiro arrecadado com a venda de bebidas será revertido para a Marcha da Maconha, movimento que defende a legalização da droga no Brasil.

 

A aluna do 3.º ano de Ciências Sociais Nina Simões, de 22, diz que vai participar do evento porque apoia o debate sobre a legalização da maconha. "Fiquei muito incomodada ao ver na internet algumas pessoas dizendo que a legalização não pode ser discutida. Além de preconceituosos, esses comentários são perigosos."

 

Para o calouro de Economia Lucas Gomes, de 21, a semana terá discussões "justas e democráticas". "Esse tipo de debate também deveria ocorrer na FEA", diz.

 

Luciana Takamori, de 23 e caloura de Atuariais, sentiu-se incomodada com a divulgação do evento. "Fica parecendo que a USP inteira está participando, quando é só um pequeno grupo de estudantes", afirma. "Esta não é uma questão de toda a universidade."

 

Ketrin Silva, de 24 e também caloura de Atuariais, concorda. Quando soube da programação da semana, disparou: "Estão fazendo apologia ao uso de drogas".

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