Universidade de Lisboa promove seminário sobre a educação no Brasil e em Portugal

Apesar da língua em comum, os dois países não exerceram entre si grande influência na concepção de modelos educacionais

Agência Brasil,

31 Janeiro 2013 | 18h55

Um grupo de 20 pessoas, entre professores e alunos de mestrado da área de educação da Universidade de Caxias do Sul (RS), participa até esta sexta-feira, 1.º de fevereiro, do seminário internacional Pensar a Educação e Perspectiva Comparada Portugal Brasil, promovido pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

 

O seminário discute a educação de jovens e adultos; a formação de professores; a avaliação educacional; as mudanças curriculares; o uso de tecnologias de informação e comunicação; além da história comparada.

 

Apesar da língua em comum e da antiga relação de colônia e metrópole, Brasil e Portugal não exerceram entre si grande influência na concepção de modelos educacionais. De acordo com o historiador português especializado em educação Joaquim Pinto Silva, os dois países tiveram “pouca interlocução direta”, porém têm referências internacionais próximas entre pedagogos suíços, belgas, espanhóis e norte-americanos.

 

Segundo o historiador português da educação Justino Magalhães, o que ocorria na educação dos Estados Unidos e na do Brasil no início do século 20 chamava a atenção das elites portuguesas, que “ficaram inquietas com a dinâmica de adesão aos modelos de desenvolvimento e de cientificidade; ao positivismo filosófico”.

 

A situação da educação - nível de escolaridade e qualidade do ensino - em Portugal é superior à do Brasil, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa) de 2009, aplicado pela OCDE, mostra que os estudantes portugueses apresentam mais habilidades e competências do que os brasileiros em testes de leitura e interpretação, cálculo matemático e ciências.

 

No ranking do desempenho educacional e da situação econômica, o Brasil soma 412 pontos enquanto Portugal tem 489. A média da OCDE é de 493 pontos e os países mais bem colocados foram a China (Xangai), a Coreia do Sul e a Finlândia, que totalizaram mais de 536 pontos.

 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 49,3% da população brasileira com 25 anos de idade ou mais não haviam concluído o ensino fundamental em 2010. O porcentual da população portuguesa que não tinha qualquer nível de escolaridade completa em 2011 era de 8,6%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

 

Magalhães pondera que apesar da diferença entre os dos países também “há arcaísmos do lado português”, quando comparado com outros países da Europa. Para ele, não é possível fazer comparações diretas sem “circunstanciá-las”.

 

“Os indicadores têm que ser trabalhados dentro de cada contexto de modernização. O Brasil tem grande diversidade cultural, uma impressionante espiral de riqueza e também uma difícil situação com a pobreza”, lembra.

 

A pesquisadora brasileira Nilda Stecanela, coordenadora da delegação da Universidade de Caxias do Sul na Universidade de Lisboa, assinala que há desafios em comum como o ensino em época de alta tecnologia acessível aos alunos. “As escolas de hoje foram criadas por una sociedade que já não existe mais.”

 

A viagem dos alunos e professores da Universidade de Caxias do Sul - que tem estatuto jurídico de universidade comunitária - a Portugal foi paga por eles próprios. “É um investimento. Podemos conhecer melhor o nosso País vendo-o de fora e trocando experiências com pesquisadores de outros lugares”, disse Nilda.

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