Universidade brasileira já produz câmera de detecção de dor

Uma parceria entre o Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), e o Hospital Amaral Carvalho (HAC) de Jaú tornou possível o desenvolvimento do primeiro protótipo nacional de uma câmara de teletermografia. Trata-se de um equipamento de detecção de radiação infravermelha, que pode ser aplicada para detectar dores crônicas de difícil diagnóstico em cânceres e outras doenças, como diabetes, lesões nervosas e artrites.A teletermografia é o calor emitido por organismos vivos, como um ser humano, ou objetos, como uma estrela, um forno ou uma chapa quente. A detecção de dores é possível porque toda dor está relacionada a uma maior ou menor circulação sanguínea na região afetada, que por sua vez determina a temperatura do local. "Quanto mais sangue, mais quente", explica o médico Antonio Carlos de Camargo Andrade Filho, chefe do Centro de Terapia da Dor do HAC. Tendões, músculos e nervosCom o equipamento, que é capaz de perceber alterações de temperatura de dois décimos de grau, torna-se mais fácil diagnosticar dores crônicas que não tenham causado alterações anatômicas nos tecidos doloridos, como tendões, músculos ou nervos."A teletermografia permite ao médico detectar alterações fisiológicas na região dolorida difíceis de serem percebidas por outros métodos", explica Andrade Filho. "Ela também dá indícios das possíveis causas da dor.?O emprego da teletermografia não é novidade. Câmaras semelhantes à desenvolvida em São Carlos, por exemplo, estão instaladas atualmente em aeroportos da Ásia, para detectar pessoas com alteração de temperatura, o que pode ser indício de que contraíram a Sars. A diferença é que as usadas no Brasil são importadas e custam cerca US$ 45 mil. "A que desenvolvemos sairá por cerca de US$ 15 mil", diz o físico Luiz Antônio de Oliveira Nunes, do IFSC-USP, que fez a câmara. "Outra vantagem é que a manutenção poderá ser feita no Brasil, com menos custo."

Agencia Estado,

14 de maio de 2003 | 17h45

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