Unisa demite 70 professores

Universidade diz que objetivo da segunda onda de dispensas desde o início do ano foi adaptar quadro docentes às exigências do MEC

Tai Nalon, Especial para O Estado de S. Paulo

12 Novembro 2009 | 17h11

Sob a justificativa de reformular o quadro de docentes e adaptá-lo às exigências do MEC, a Universidade de Santo Amaro (Unisa) demitiu, no último mês, cerca de 70 professores.   É a segunda onda de demissões do ano; a primeira desde que a universidade foi investigada durante a CPI dos cursos de Medicina da Assembleia Legislativa de São Paulo, em agosto. Na ocasião, foram expostos problemas de gestão, como uma série de dispensas na faculdade de Medicina da instituição que culminaram em protestos por parte dos alunos. Na época a reitoria afirmou ter realizado 62 demissões, também para atender às normas do MEC. Segundo a reitora Darcy Nascimento, as dispensas foram necessárias para que a universidade cumprisse a legislação, que exige que ao menos 1/3 do quadro de professores tenha mestrado ou doutorado e trabalhe 40 horas por semana. Profissionais com carga horária menor que a estabelecida que não aceitaram aumentar a carga horária, diz ela, foram demitidos. Entre os 70 professores dispensados, porém, há queixas de demissões irregulares, segundo o Sindicato dos Professores de São Paulo. É o caso da professora da pós-graduação em gestão ambiental da Unisa Ana Paula Giorgi, de licença há quatro anos para fazer uma especialização nos Estados Unidos. Ela afirma que foi demitida em justa causa por abandono de emprego, mas a chamada para retomar o cargo ou negociar a saída do emprego nunca foi feita. "É uma estranha coincidência que vários professores sejam demitidos sob a mesma justificativa", afirmou Ana Paula. Segundo o sindicato, de 25 professores que assinaram a homologação da demissão esta semana, pelo menos 5 perderam o emprego sob esse pretexto. A reitora afirma, porém, que as demissões são normais. Diz ela que todos funcionários demitidos nessas condições (dois ou três, "se muito") não se apresentaram no prazo determinado pela universidade em acordo com os professores para constituir turmas para o período letivo seguinte. A universidade tem até janeiro para cumprir as normas do MEC, caso contrário pode perder o status de universidade e passar a ser nomeada somente como "centro universitário". Hoje a instituição conta com 600 docentes.

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