Keiny Andrade/AE
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Unifesp muda centros de especialidades na Vila Clementino

Transferência integra projeto de reurbanização iniciado em parceria com a Prefeitura em 2006

Luiz Guilherme Gerbelli, Jornal da Tarde

18 de maio de 2010 | 10h11

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) vai transferir os seus centros de atendimentos espalhados por toda a Vila Clementino, zona sul, para os quarteirões vizinhos ao Hospital São Paulo, no mesmo bairro. Atualmente, são cerca de 250 casas na região que oferecem algum tipo de atendimento médico. A alteração faz parte do projeto Bairro Universitário, fruto de uma parceria entre a Prefeitura e a Unifesp.

 

Segundo o professor Paulo Pontes, responsável da Unifesp pela implementação do programa, haverá um redesenho na região. A Prefeitura deverá ceder alguns terrenos e haverá desapropriação de outros. Por conta do novo projeto, as árvores do bairro também serão remanejadas. “Com essas modificações, os pacientes vão ter um acesso mais fácil. Tudo vai ficar próximo do Hospital São Paulo”, disse Pontes.

 

A alteração será realizada graças a um convênio entre a Unifesp, Prefeitura e Hospital São Paulo. O acordo será assinado hoje. A cerimônia terá a presença do prefeito Gilberto Kassab, que aproveitará para fazer um balanço sobre as ações já realizadas.

 

Projeto de 2006

 

O primeiro acordo entre o executivo e a Unifesp foi firmado em 2006. Apenas parte da proposta inicial foi cumprida, como a adaptação e ampliação das calçadas.

 

A região também dispõe de estacionamento Zona Azul destinado para idosos e pessoas com mobilidade reduzida próximo aos centros médicos. Por outro lado, a intenção de instalar câmeras, semáforos inteligentes e uma rede ampliada de wireless ainda não saiu do papel.

 

“Quando o Kassab assumiu (em 2006), ele reformou as calçadas. Depois, não percebi mais nada”, disse a comerciante Elide Terra, de 53 anos, que há 13 trabalha na região.

 

Para a deficiente visual e controladora de paginação Andrea Queiroz, de 31 anos, as guias rebaixadas auxiliam a sua locomoção, entretanto, a falta de avisos sonoros nos faróis de pedestre é um fator que dificulta a sua mobilidade. “Às vezes, os carros parados sob a calçada também me prejudicam”, completou.

 

Segundo Paulo Pontes, todas as propostas acertadas na parceria serão concluídas.

 

Na avaliação do professor Luiz de Castro, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, é correta a decisão da Prefeitura de apoiar o investimento na mobilidade nos locais apropriados, como na Vila Clementino.

 

O bairro, além dos centros da Unifesp e dos consultórios, também conta com unidades da Apae, AACD e Graac. “Acho que estrategicamente alguns pontos devem ser adotados como prioritários”, afirmou.

 

Segundo Castro, é importante que a Prefeitura destine bem o recurso para a mobilidade nas áreas em que realmente existam uma demanda. Caso contrário, ele avalia que os equipamentos ficarão ociosos. O professor do Mackenzie diz que a preocupação com o deslocamento dos deficientes físicos é recente.

 

“Em São Paulo, temos muitas carências. Mesmo em termos de percursos de pedestres, as calçadas não têm muitas condições de uso. Estão esburacadas”, disse.

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