Unicamp terá testes na 1ª fase

Além de 48 testes na primeira fase, aluno terá que escrever três dissertações

Renata Cafardo e Fábio Mazzitelli, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2009 | 09h44

O vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) terá, a partir do ano que vem, 48 questões em forma de teste na primeira fase. Além disso, os candidatos precisarão escrever três pequenas redações, uma carta, uma narrativa e uma dissertação, algo inovador em exames no País.A prova da Unicamp era a única que só tinha questões dissertativas entre as que selecionam para universidades públicas do Estado. As mudanças e os detalhes foram aprovados ontem pela instituição e serão anunciados oficialmente hoje. Segundo apurou o Estado, a segunda fase também mudará e passará a ser dividida em três provas, mas continuarão as questões dissertativas. Os exames das duas fases, em 2010, serão agrupados por áreas – como ciências e humanidades, por exemplo – e não mais por disciplinas, algo que teve influência do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A quantidade de testes foi pensada para compensar o tempo que os estudantes perderão fazendo as três redações. A Fuvest, por exemplo, tem 90 questões na primeira fase e a redação fica na segunda etapa. Os tamanhos dos textos exigidos serão menores, com cerca de 20 linhas. A nova prova terá cinco horas, uma a mais do que hoje. "No vestibular atual, a maioria escolhe a dissertação, uma parcela pequena, a narrativa e menos gente ainda, a carta. Nos cursinhos, há um treinamento para uma única modalidade. A gente quer avaliar o estudante em várias modalidades da redação", disse ao Estado Edgar Salvadori de Decca, presidente da Câmara Deliberativa do Vestibular, órgão que aprovou a alteração. "A mudança vai ter impacto no ensino das escolas e dos cursinhos", acredita.A Unicamp fez parte da Fuvest até meados dos anos 1980 e passou a organizar vestibular próprio há mais de 20 anos. Desde 1987, a prova da Unicamp tem 12 questões dissertativas de todas as disciplinas na primeira fase e uma redação. "O vestibular da Unicamp sempre foi uma tentativa de avaliar o potencial do estudante e não o conteúdo de memorização. Isso orientou o vestibular e vai continuar orientando", diz Renato Pedrosa, coordenador da prova, que não confirmou detalhes da mudança e convocou coletiva de imprensa para hoje.O órgão que aprovou as mudanças ontem tem representantes de todas as faculdades da Unicamp e profissionais da educação do ensino básico. "A universidade tinha de acompanhar a mudança do ensino médio e a nova proposta do Enem", completou Suely Fátima de Oliveira, do sindicato de professores de São Paulo, integrante do grupo.Coordenadores de cursinhos acreditam que a Unicamp deve manter o mesmo perfil de prova e de candidatos selecionados. ParaAlberto do Nascimento, do Anglo, o fato de as mudanças serem divulgadas com antecedência facilita a vida das escolas e dos alunos. "A Unicamp está de parabéns, ao contrário da Fuvest e do Enem." A Universidade de São Paulo (USP) e o Ministério da Educação (MEC)anunciaram novidades em seus exames deste ano alguns meses antes. Para a coordenadora do Objetivo, Vera Lúcia Antunes, os testes na primeira fase farão uma seleção inicial dos candidatos menos preparados. "Tenho certeza de que a prova manterá o mesmo nível."A primeira fase da Unicamp foi realizada em 15 de novembro e teve 55.475 candidatos. A segunda etapa será em janeiro. O vestibular, um dos mais concorridos do País, oferece 3.444 vagas. (colaborou Mariana Mandelli).

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