Unicamp registra recorde de faltas na segunda fase

Abstenções são atribuídas ao 'efeito Enem', que alterou a data de alguns vestibulares do País

Paulo Saldaña, Carolina Stanisci e Tatiana Fávaro,

11 Janeiro 2010 | 10h32

Assim como ocorreu na Fuvest, a segunda fase do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) teve ontem o maior índice de faltas da década. Dos 14.706 convocados, 1.187 deixaram de fazer a prova – o que significa uma abstenção de 8,07%. Os vestibulandos que participaram do primeiro dia de prova dessa etapa final encontraram questões com dificuldade média e alta, de acordo com professores e candidatos ouvidos pelo Estado.   Para o coordenador da Comissão Permanente para o Vestibular (Comvest), Renato Pedrosa, o índice está dentro das projeções, apesar de ser um recorde. "Nas capitais, onde a abstenção foi maior, pode ter sido efeito do Enem, que mexeu com as datas de vestibulares locais". O vestibular da Unicamp foi realizado em 21 cidades, entre elas Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Neste ano, a Unicamp já havia registrado o número recorde de inscritos: 55.475, o que representa uma procura 12,5% superior ao do vestibular do ano passado, que teve 49.322 interessados.   A maior abstenção nesta segunda fase foi registrada no Rio, onde o índice chegou a 45,45%, bem acima dos 14,14% do ano passado. A segunda fase da Unicamp coincidiu com a prova da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que também contou com uma alta abstenção: 44%.   Os candidatos a uma vaga na Unicamp resolveram, ontem, questões de português e biologia. Para o professor de biologia do Anglo Armênio Uzunian, as perguntas foram exigentes. "Só quem sabe biologia com profundidade conseguiu resolver". Segundo ele, as questões abrangeram todos os assuntos da biologia, passando pela genética, botânica e até ecologia. O professor Constantino Carnelos, do Objetivo, concorda. "Foi muito difícil e longa. Não sei se os alunos conseguiram responder todas."   Leia mais:  Unicamp quer estudantes capazes de fazer analogias e desenvolver raciocínios  Provas de aptidões para 5 carreiras da Unicamp serão realizadas de 18 a 21 de janeiro    Mudanças na Unicamp entrarão em vigor somente em 2011  Leia no blog do Estadão.edu a cobertura completa do Vestibular Unicamp 2010     Uma das questões que causaram mais polêmica entre os estudantes estava na prova de português. A partir de um texto crítico, o vestibulando tinha de associar a expulsão de Adão e Eva do paraíso à história dos protagonistas do romance Iracema, de José de Alencar. Para Marina Giudce, de 17 anos, que presta Engenharia de Alimentos, alguns candidatos podem ter sido prejudicados. "Para quem não conhece a Bíblia mais a fundo, como eu, complicou. Pode ter privilegiado quem é religioso", diz.   Para o professor de literatura do Anglo Dácio Antonio de Castro, a questão é boa. "Esse é um comentário que já se faz na análise da obra, a aproximação é muito forte." Nelson Dutra, do Objetivo, tem a mesma opinião. "Vai além de religião, é cultura."   Entre os professores de português, a opinião foi de que o nível da prova oscilou entre médio e difícil. Eduardo Antonio Lopes, do Anglo, lamentou o abuso de dois gêneros de textos. Havia três questões com imagens de publicidade e duas com tirinhas. "Podiam ter variado."   Hoje, haverá provas de química e história. Amanhã, física e geografia. Na quarta-feira, último dia, matemática e inglês. Os portões abrem sempre às 13 horas e fecham às 13h45. A lista de aprovados sai em 4 de fevereiro.

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