Unicamp realiza 1º fase e tema de redação surpreende jovens

Vestibular registrou 4,57% de ausência, menos que no ano passado; confira abaixo a resolução das provas

Tatiana Fávaro,, O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2008 | 18h23

A Unicamp realizou neste domingo, 16, a primeira fase do vestibular deste ano. O tema da redação - "O homem e os animais" - surpreendeu os candidatos que fizeram o exame em 24 cidades brasileiras. A prova trouxe informações sobre como os animais foram e podem ser usados para o progresso da humanidade e levantou questões como extinção, reprodução, associados a temas como política e disciplinas como matemática, física, química, biologia, história e geografia. Confira abaixo a resolução das provas do Objetivo e Anglo.   Veja também:  Resolução comentada da 1ª fase da Unicamp - Objetivo   Resolução comentada da 1ª fase da Unicamp - Anglo   Prova de redação   Questões Gerais    Segundo informou o coordenador executivo da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), Leandro Tessler, a surpresa é um dos fatores que permite a disputa mais justa pelas 3.434 vagas. "A gente tenta justamente colocar um elemento surpresa. Se o tema fosse aquecimento global, certamente metade dos candidatos já teria uma redação em mente, praticamente pronta", afirmou Tessler.   A prova teve 12 questões (que valem até quatro pontos cada), a maioria interdisciplinares. "O que queremos mostrar é que o conhecimento não é compartimentado. Todas as questões podem fazer o candidato usar o que sabe para entender o contexto", afirmou Tessler. "Ganha a Unicamp, que busca um candidato que saiba ler a prova e relacionar idéias. E ganha o ensino médio, pois cai aquela coisa do ensino por memorização apenas. Todas as disciplinas podem ser aplicadas se o estudante for provocado", disse o coordenador.   Para o candidato a uma vaga no curso de Engenharia de Produção Bruno Augusto de Castro Oliveira, 17 anos, a parte mais difícil da prova foi exatamente o tema. "Difícil fazer a redação", afirmou Oliveira. O vestibulando Gaspar Vieira, 19 anos, que concorreu a uma vaga no curso de Tecnologia de Construção Civil, considerou as questões relacionadas a matemática e física fáceis. "O que teve de química, e a redação, foram as coisas mais complicadas."   Queda no número de inscritos   Dos 49.322 inscritos, 2.256 deixaram de fazer as provas, índice de abstenção de 4,57%, ante os 5,95% registrados em 2008. O número de inscrições divulgado até a manhã deste domingo, de 49.287, sofreu alterações por conta das confirmações de inscrição que não tinham sido registradas pelas agências bancárias à universidade, mas foram confirmadas pelos candidatos, dias antes da prova. No vestibular 2008, a Unicamp recebeu 49.480 inscrições. "A oscilação do índice de abstenção não nos preocupa quando aumenta pouco ou diminui pouco. Se esse índice fosse de 10%, 15%, aí sim seria preocupante", afirmou o coordenador do vestibular. Entre as 24 cidades onde o exame foi aplicado, o Rio de Janeiro apresentou o maior índice de abstenção: 16,13%. Em São Paulo, os ausentes foram só 4,31%.   Quanto à queda do número de inscritos, Tessler também disse não se preocupar, porque a variação foi pequena. O professor associou essa diminuição da demanda a motivos como o aumento da oferta de cursos superiores particulares e também à criação do Programa Universidade para Todos (Prouni), programa do governo federal cujo objetivo é a concessão de bolsas de estudo integrais e parciais a estudantes de cursos de graduação e seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de educação superior.   Atrasadinhos   O maior problema enfrentado em Campinas, cidade na qual está sediado o principal campus da universidade, foi o engarrafamento próximo aos acessos à Unicamp e ao campus I da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (onde também foram aplicadas as provas). "Mas os candidatos que seguiram as orientações da Comvest, de chegar ao local de prova às 13 horas, não tiveram problemas", afirmou Tessler.   Não foi o caso da vendedora Monalice Duarte, 24 anos, que chegou três minutos atrasada ao campus da Unicamp, em Campinas, mesmo morando em Barão Geraldo, distrito campineiro no qual está localizada a universidade. "Foi falta de atenção e displicência", admitiu a moça, que acordou às 9h30 e mesmo assim se atrasou para a prova. Os acessos às salas foram fechados às 13h45.   A Unicamp oferece vagas em 68 cursos (66 da Unicamp e dois da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto). O curso mais concorrido é o de medicina, com 78,8 candidatos por vaga, seguido dos cursos de medicina da Famerp (48,4 candidatos por vaga), arquitetura e urbanismo (47,6 candidatos por vaga) e ciências biológicas (32,7 candidatos por vaga).   O número de vagas para o próximo ano é 17% maior que no ano passado por causa do lançamento de oito cursos no campus de Limeira, inaugurado este ano (gestão de políticas públicas, gestão de agronegócio, gestão de comércio internacional, gestão de empresas, ciências do esporte, nutrição, engenharia de produção e engenharia de manufatura).   Um vestibular diferente   Neste ano, o vestibular da Unicamp está diferente, porque o aluno pôde fazer até duas opções de cursos em vez de três; Odontologia não exige mais a prova de aptidão; o tempo mínimo de permanência nas salas nos dias de provas é de duas horas e meia (e não mais duas horas); há apenas uma nota de corte para as provas prioritárias de cada curso; a prova deixou de ter um caderno separado para as respostas, que passaram a ser feitas no próprio caderno de questões.   A lista de aprovados e os locais da segunda fase serão divulgados no dia 17 de dezembro. A segunda fase está marcada para os dias 11 a 14 de janeiro, com oito provas dissertativas. A primeira chamada será divulgada dia 5 de fevereiro e a matrícula dos convocados em primeira chamada deve ser feita dia 10 de fevereiro. A Unicamp realiza seu vestibular em Campinas, Bauru, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Jundiaí, Limeira, Mogi Guaçu, Piracicaba, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, São Paulo, Santo André, Salvador, Santos, São Bernardo do Campo, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba, Sumaré e Valinhos.

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