JF Diorio|Estadão
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Unicamp propõe cotas étnico-raciais, vagas pelo Sisu e vestibular indígena

Proposta ainda será discutida nas unidades de ensino e precisa ser aprovada pelo Conselho Universitário, mas previsão é de que seja adotada para o vestibular 2019

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2017 | 13h41
Atualizado 31 Agosto 2017 | 21h06

SÃO PAULO - A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apresentou três propostas para a nova política para o vestibular, a partir de 2019: oferta de vagas pelo Sistema Unificado de Seleção (Sisu), que usa a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem); cotas para alunos de escolas públicas, pretos e pardos; e prova específica para indígenas.

Em maio, o Conselho Universitário, órgão máximo da instituição, aprovou projeto da reitoria de mudanças no vestibular. O formato do programa foi agora apresentado por um grupo de trabalho e será discutido nas unidades de ensino, antes de ser votado novamente. 

A ideia é que 20% das vagas da Unicamp sejam disputadas pelo Sisu. Das cadeiras ofertadas pelo sistema nacional, 10% serão reservadas para estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola pública, 5% para alunos da rede pública e que sejam autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPIs) e 5% para os demais PPIs. Cada curso deve estabelecer os pesos diferenciados para as áreas de conhecimento avaliadas pelo Enem e definir a nota mínima. 

O vestibular da Unicamp selecionará os estudantes para 80% das vagas da instituição, sendo que 15% delas serão reservadas para autodeclarados pretos ou pardos. Assim, a universidade reservaria no total 25% de suas vagas para cotas étnico-raciais. 

“Especialistas no mundo todo recomendam o uso de mais de um sistema de seleção para atender a perfis diferentes de estudantes. Ao buscar o Sisu, alcançaremos mais pessoas autodeclaradas PPI. Temos baixa procura desses alunos no nosso vestibular. O número de inscritos no nosso exame (com esse perfil) é de 20%, abaixo da média populacional do Estado”, disse José de Freitas Netos, presidente do grupo de estudos. 

O plano prevê alcançar a meta de 50% de estudantes oriundos da rede pública, por curso e turno, e buscar a meta de 37,5% de autodeclarados PPI, segundo registrado pelo IBGE no Estado de São Paulo. 

Já para indígenas, a Unicamp propõe adotar um vestibular próprio – eles também poderão participar da seleção pelo Sisu.

Com a adoção das cotas, a Unicamp também propõe alterar o Programação de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais), que prevê pontos extras para alunos de escola pública. A bonificação será reduzida e sem pontos extras para PPIs. 

“A bonificação atual provocou distorções em algumas áreas, impactando o rendimento dos estudantes”, disse Freitas Neto. Em 2016, o curso de Medicina, o mais concorrido da instituição, teve na primeira chamada do vestibular 88,2% de alunos selecionados advindos de escola pública. 

 

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