Unicamp lança Atlas da Exclusão Social

O maior grau de exclusão social do País está acima do Trópico de Capricórnio: nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País. Dos 5.507 municípios brasileiros, 2.290, ou 41,6%, estão em situação extrema de exclusão social. As informações estão no Atlas da Exclusão Social no Brasil, produzido por um grupo de pesquisadores da Unicamp coordenados pelo professor da universidade e secretário de Emprego da Prefeitura de São Paulo, Márcio Pochmann, e pelo pesquisador Ricardo Amorim. O trabalho, apresentado nesta quarta em São Paulo, será lançado oficialmente em Porto Alegre na sexta-feira, no Forum Social Mundial (FSM).Os dados referem-se a 2000, data do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo Pochmann, o novo levantamento de dados é mais abrangente e sofisticado do que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), apurado no Brasil pelo IBGE."Basicamente, o IDH usa a mesma metodologia desde 1975 e olha o país como um todo, enquanto nós olhamos os municípios", explicou em entrevista coletiva de lançamento do livro.Revela a publicação que a cidade de São Caetano do Sul, no ABC paulista, possui o menor grau de exclusão social do País, enquanto o município de Jordão (AC) teve o pior índice dos 5.507 municípios do Brasil."As maiores diferenças dessa pesquisa em relação ao IDH está na ponta dos mais excluídos. No topo, os dois indicadores têm informações coincidentes", esclareceu.O grande diferencial dessa pesquisa, segundo os coordenadores, é a uso de um índice de violência, baseado nos dados da Datasus, do Ministério da Saúde, que aponta a incidência de homicídios a cada 100 mil habitantes. "A sociedade brasileira é complexa e existem diversos graus de exclusão", comentou. "Temos um volume de homicídios com violência rural e urbana maior do que o de países em conflito aberto", justificou.Além dos dados do Datasus, o índice de exclusão social foi definido pelos pesquisadores com base em levantamentos do IBGE (indicadores de pobreza, juventude, alfabetização e escolaridade) e do Ministério do Trabalho (emprego)."Todos os mapas sociais se sobrepõem, com a exclusão concentrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste, em uma demonstração de que o Brasil, apesar dos programas sociais, ainda não consegue reduzir a desigualdade regional", avaliou Amorim.Pochmann manifestou a existência exclusões sociais antigas e novas. No primeiro grupo, estão os chamados "despossuídos", que jamais tiveram acesso à inserção social, embora o Brasil tenha vivido um período de desenvolvimento econômico efetivo entre as décadas de 30 e 70.A outra categoria é formada por "deserdados" e "apartados", pela dinâmica econômica social. "Os deserdados são aqueles que tinham residência e escolaridade antigamente, mas ficaram desempregados e não conseguem retornar ao mercado de trabalho. Para se ter uma idéia, na cidade de São Paulo, há mais desempregados com nível universitário do que analfabetos", comentou.Já os apartados são o grupo de pessoas sem acesso à informação, informática e tecnologia, principalmente sem conhecimento sobre a Internet."Uma criança que nasce em São Caetano do Sul tem uma perspectiva de ascensão social diferente da outra que nasceu em Jordão. Dificilmente a criança nascida em Jordão pode pensar em prosperidade e isso, no fim, resulta em migração", analisou.Com base no estudo, o especialista recomendou aos governos que mudem a condução das políticas sociais. "A política social brasileira é clientelista e não rompe a exclusão social e nem o ciclo de pobreza. É necessário que se desenvolva um novo padrão de política social", sugeriu, ao admitir que o programa "Fome Zero" do governo federal também não terá capacidade de romper a barreira da exclusão social."O caminho mais rápido é o do desenvolvimento econômico e geração de renda. As políticas de educação só surtirão efeito em médio prazo", estimou.

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