Unicamp é a única brasileira em ranking de instituições com menos de 50 anos

Instituição paulista caiu em relação a 2013; 29 países estão representados na lista da Times Higher Education

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

30 Abril 2014 | 16h58

Atualizado em 9 de maio.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é a única brasileira no ranking de 101 instituições com menos de 50 anos da Times Higher Education (THE), uma das principais referências internacionais na medição de qualidade do ensino superior. A universidade paulista, porém, recuou em relação ao ano passado: passou de 28ª para 37ª. A lista foi divulgada pela THE nesta quarta-feira, 30.

Como mede a qualidade apenas de instituições novatas, a Universidade de São Paulo (USP), fundada em 1934, e a maioria das federais de ponta ficam fora da classificação. A Universidade Estadual Paulista, fundada em 1976, é candidata ao ranking, mas não aparece na lista.

No topo está a sul-coreana Pohang University of Science and Technology. Suíça, Hong Kong, Cingapura, Holanda, Estados Unidos, França e Reino Unido são as outras nações no top 10. Os países emergentes, no entanto, decepcionam: enquanto Rússia e China não aparecem, Índia e Brasil têm apenas um representante cada. Vinte nove nações estão na relação de 101 universidades.

Barreiras. A pró-reitora de Desenvolvimento Universitário da Unicamp, Teresa Atvars, afirmou que um dos principais motivos da queda da instituição é a redução na proporção de professores em relação aos alunos. Isso ocorreu, de acordo com ela, pela recente criação de um programa de especialização semi-presencial com mais de 4 mil alunos.

Outro motivo, para Teresa, é a inserção de mais periódicos científicos brasileiros em bancos de dados internacionais. "Parte desses, por serem publicações em língua portuguesa, têm baixo índice de impacto e número baixo de citações", afirma.

Já a pró-reitoria de Pesquisa da Unesp afirmou que a ausência no ranking pode ser explicada pela contratação de grande número de professores nos últimos anos. "Esses ainda estão em estágio probatório, estabelecendo suas linhas e, consequentemente, em fase de consolidação de suas pesquisas", afirmou o órgão, em nota.

Desafios. O coordenador da biblioteca virtual de publicações científicas Scielo, Rogério Meneghini, avalia que a Unicamp está em uma posição privilegiada no ranking. "O declínio da universidade é estatiscamente pouco significativo. Como a pontuação é complexa, a diferença de posições é pequena", garante. Quanto à Unesp, o especialista é otimista. "Acredito que em dez anos ela também aparecerá nesta lista", diz. Em 2012 a instituição já apareceu na lista da THE de universidades mais jovens.

De acordo com Meneghini, uma das principais dificuldades das instituições brasileiras para avançar nos rankings internacionais é a internacionalização. "A presença de professores estrangeiros e a colaboração em pesquisas de outros países são dois fatores que têm muito impacto nessas medições", explica.

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