Unicamp disponibiliza documentos sobre o Brasil das capitanias

O pesquisador que trabalhe com mais de três séculos de História do Brasil é empurrado com freqüência a cruzar o Atlântico e vasculhar, a partir de Lisboa, a documentação oficial da Corte Portuguesa sobre o período. Desde o início de julho, quem recorrer à Unicamp terá boas chances de descartar a longa viagem encontrando o que precisa dentre quase 300 CDs contendo microfilmes digitalizados de documentos do Arquivo Histórico Ultramarino.Os CDs e respectivos catálogos fazem parte do Projeto Resgate de Documentação Histórica Barão do Rio Branco, uma coleção fabulosa que mereceu grande repercussão, mas ainda pouco disponibilizada ao público.Mutirão de instituiçõesIniciado em 1994 pelo Ministério da Cultura, o Projeto Resgate mobilizou pesquisadores brasileiros e portugueses de 110 instituições, num mutirão que coletou 250 mil documentos relacionados com a administração das 18 capitanias do Brasil, entre os séculos 16 e 19.Neste esforço, cada Estado respondeu por suas pesquisas, inclusive por parte do financiamento e pela produção dos CDs e catálogos. Uma conseqüência desta descentralização, porém, foi que a coleção acabou fragmentada pelo País, dificultando sua localização e acesso pelos pesquisadores. O Arquivo Edgard Leuenroth é um dos poucos a reunir a coleção praticamente completa, não sem grande esforço.?Estar diante destas duas caixas, parecidas com as de sapatos [contendo os CDs], é como estar na porta do Arquivo Ultramarino de Lisboa?, celebra a professora Silvia Hunold Lara, do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), que se envolveu pessoalmente na batalha para juntar no AEL o material disperso.Doações, compras e cópiasA documentação reunida no Arquivo Edgard Leuenroth é fruto de doações, compras e cópias. Faltam alguns catálogos que ainda não foram impressos e outros, produzidos há certo tempo, que já se esgotaram. Agora, no final de junho, o Departamento de História recebeu todos os CDs já produzidos, doados diretamente pelo Ministério da Cultura.A dedicação dos funcionários do AEL foi fundamental para que esta coleção possa ser consultada através da maioria dos catálogos até agora editados.

Agencia Estado,

22 de julho de 2003 | 14h08

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