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Unicamp aprova uso do Enem e cotas no vestibular

Mudanças serão adotadas no processo seletivo para 2019; reserva de vagas valerá para pretos, pardos e alunos da escola pública

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 18h34
Atualizado 21 Novembro 2017 | 22h23

SÃO PAULO - A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vai reservar 20% das vagas de graduação para disputa pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As outras vagas continuarão a ser oferecidas por vestibular próprio. A instituição também vai adotar, pela primeira vez, cotas para pretos, pardos e indígenas (PPI). As mudanças, aprovadas nesta terça-feira, 20, pelo Conselho Universitário da instituição valem a partir do próximo vestibular, que seleciona alunos para entrar em 2019.

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Outra medida aprovada é criar de até 10% de vagas extras para estudantes vencedores de olimpíada de conhecimento, como as de Química e Matemática. “É um avanço significativo. Abrimos o leque de possibilidade de acesso e na inclusão social. A ideia é ter representação mais fidedigna da sociedade, que é quem nos financia, sem perder a oportunidade de procurar os melhores estudantes”, disse o reitor, Marcelo Knobel. 

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Segundo a proposta aprovada nesta terça, 20% das 3,3 mil vagas nos 70 cursos de graduação serão preenchidas por estudantes que prestaram o Enem. Diferentemente de outras instituições, as vagas da Unicamp não serão oferecidas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), mas por um edital próprio. “Como vamos oferecer só 20% das vagas de cada curso e turno, em alguns casos o número absoluto será pequeno, o que poderia fazer com que a Unicamp fosse menos competitiva diante de outras instituições, como as federais”, afirmou Knobel. 

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Das vagas ofertadas pelo Enem, 10% serão para alunos que cursaram todo o ensino médio em escola pública, 5% para alunos da rede pública e autodeclarados pretos, pardos e indígenas e 5% para os demais PPIs. Cada curso deve fixar pesos diferenciados para as áreas de conhecimento avaliadas pelo Enem e definir a nota mínima. Isso será decidido até abril. 

O vestibular próprio da Unicamp continuará sendo usado para 80% das vagas, sendo 15% delas reservadas para autodeclarados pretos ou pardos. Assim, a universidade reservará no total 25% de suas vagas para cotas étnico-raciais. 

Outra mudança é a criação de vagas extras para vencedores de olimpíada de conhecimento de abrangência nacional. Cada curso e turno poderá aumentar em até 10% o número de vagas para ingresso - a definição ficará a cargo de cada faculdade. A partir de 2021, a Unicamp também vai ter um processo seletivo exclusivo para indígenas. 

Com as mudanças, foi reduzida a bonificação a alunos da rede pública e a pretos e pardos. 

 

Diversificação

Especialista em ensino superior, Elizabeth Balbachevsky diz que adotar novas formas de ingresso, além da prova própria, é uma boa decisão. “Essas estratégias flexibilizam o acesso, valorizam diferentes habilidades. O vestibular é um mecanismo interessante e importante de seleção, mas não garante que quem teve maior pontuação vai ser bem-sucedido no ensino superior ou na vida profissional.”

Entenda

Enem

Nota do exame poderá ser usada pelos candidatos para 20% das vagas de cada curso. 

Reserva

Vagas disputadas pelo Enem e vestibular próprio terão cota para alunos de escola pública e pretos, pardos e indígenas. No total, 25% das vagas terão reserva para esses estudantes.

Bônus

Com cotas, Unicamp reduziu bonificação no Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social.

Novas formas

O acesso à Unicamp também poderá ser feito por vencedores de olimpíada de conhecimento e, a partir de 2021, por um vestibular específico para indígenas.

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