JF Diorio/Estadão
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Unicamp aprova adoção de cotas étnico-raciais a partir de 2019

O formato e os critérios de como se dará a reserva das vagas para alunos de escolas públicas e autodeclarados negros, pardos e indígenas ainda não foi definido

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2017 | 23h30

SÃO PAULO - A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovou nesta terça-feira, 30, cotas étnico-raciais para os cursos de graduação a partir de 2019. O formato e os critérios de como se dará a reserva das vagas para alunos de escolas públicas e autodeclarados negros, pardos e indígenas ainda não foi definido. 

A adoção foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consu), órgão máximo deliberativo da instituição. Ficou definida a formação de um grupo de trabalho que formulará a proposta de implementação progressiva das cotas. O modelo a ser adotado terá sua votação final em novembro. 

"Está aprovado o princípio das cotas étnico-raciais na Unicamp, mas ainda precisamos definir quais serão os outros critérios e como será a distribuição delas. Estamos colocando também a possibilidade das vagas serem ofertadas pelo Sisu [Sistema de Seleção Unificada, que utiliza a nota do Exame Nacional do Ensino Médio]", disse Marcelo Knobel, reitor da instituição. 

A Unicamp não adota cotas, mas um sistema de bonificação, o Programa de Ações Afirmativas e Inclusão Social (PAAIS), que foi criado em 2004. Neste ano, pela primeira vez, a instituição conseguiu matricular 50,3% dos ingressantes advindos da escola pública - alcançando assim a meta de ter até 2017 metade dos calouros vindos da rede pública. 

A universidade também tinha como meta para este ano alcançar 35% dos ingressantes autodeclarados pretos, pardos ou indígenas (PPI), o que não ocorreu - eles foram apenas 22% dos matriculados, porcentual inferior ao de 2016, que foi de 22,4%. Com a redução, houve o fortalecimento de movimentos sociais para a adoção das cotas. 

No ano passado, os estudantes fizeram greve por três meses e chegaram a ocupar o prédio da reitoria para reivindicar a implantação das cotas sociais. Eles também pediam a ampliação das vagas na moradia estudantil e protestavam contra cortes no orçamento.

O grupo de trabalho aprovado nesta terça-feira também ficará responsável por formular um novo programa de permanência estudantil para a Unicamp, com a oferta de suporte socioeconômico e acadêmico aos estudantes, como concessão de bolsas moradia, transporte, alimentação e auxílios pedagógico, psicológico e acadêmico. 

Paulistas. A Unesp é a única estadual que adota cotas sociais e raciais. O modelo, adotado em 2013,semelhante às instituições federais, com uma reserva mínima de 35% de vagas em todos os seus cursos para alunos que tenham cursado o ensino médio em escolas públicas. Dentro desse porcentual, estão previstas vagas para PPIs.

Já a USP, passou a adotar em 2016 as notas do Enem para selecionar alunos e reservou, para alguns cursos, porcentuais para alunos de escolas públicas e candidatos autodeclarados PPIs. Para o ingresso deste ano, a USP definiu que 2.338 das 11.072 vagas seriam reservadas para o Sisu - sendo 1.155 (16% sobre o total de vagas da instituição) para alunos da rede pública e 586 (5,3%), para quem é da rede e PPI. 

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