Uniban errou ao não punir estudantes agressivos, diz pedagoga

É a opinião de Leda Maria de Oliveira Rodrigues, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP

Rita Cirne e Priscila Trindade, da Central de Notícias,

10 Novembro 2009 | 18h50

A Uniban (Universidade Bandeirante) errou ao decidir não punir os estudantes envolvidos  nas ofensas à estudante Geisy Arruda. Essa é a opinião da pedagoga Leda Maria de Oliveira Rodrigues, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP e do programa de Pós-Gradução em Educação, Histórica, Política e sociedade da PUC.   De acordo com a professora, do ponto de vista pedagógico a instituição errou. "A universidade tem que preparar cada aluno para que tenha condições de exercer o seu direito de expressão. E isso inclui também a roupa que vai vestir, o jeito de andar,  etc. Quando os alunos se comportam ocorreu  no caso da Geisy, a universidade precisaria identificar os autores da ação e puni-los corretamente. A punição poderia ser uma suspensão de aula, mas além disso, eles teriam que  ler textos de filosofia e  das áreas de ética e sociologia, para compreender o que é conviver em sociedade", afirmou.   A pedagoga acrescenta que textos desse tipo deveriam fazer parte do currículo da universidade, mas se realmente fizessem, os alunos em questão não teriam tido esse comportamento.  Segundo ela, as pessoas não podem fazer o que querem no sentido de massacrar o outro, e esses estudantes mostraram que a instituição está errando do ponto de vista pedagógico.   "Eu fiquei impressionada com o vídeo que assisti. Esses jovens (moças e rapazes) têm uma potencialidade muito grande de violência e agressão. O comportamento deles foi  muito próximo do que era comum no século XVI,onde as ações eram regidas por normas de moral e religiosidade. Em que século eles vivem?", perguntou.   Ela acredita que esses estudantes não estão sendo formados para compreenderem o que é ser um grupo social e agir num grupo no século XXI. Estão alijados dessas informações e agindo de uma forma preconceituosa com a mulher, sem saber que as mulheres  já passaram por um movimento feminista e fizeram inúmeras conquistaras.   A professora destaca que as universidade  têm um fim a ser atingido do ponto de vista pedagógico e de formação. No caso da Uniban, ela acredita que os princípios devem ser revistos porque não estão atingindo o objetivo que a sociedade espera.  "O pior de tudo é que a jovem foi julgada culpada, pois chegou a ser expulsa", concluiu.   Para  Maria Helena Vilela, educadora sexual e diretora do  centro de estudos de sexualidade humana, Instituto Kaplan,   se o comportamento da aluna atrapalhava as atividades da universidade, a Uniban deveria ter tomado uma atitude educativa. "A instituição tomou uma atitude repressora e tentou se livrar do problema expulsando da menina, impedindo que ela estudasse", disse.

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