Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Unesp decide manter aulas remotas durante todo o ano letivo de 2021

Universidade considera 'muito difícil' que situação da pandemia se modifique a ponto de garantir retorno presencial seguro este ano; alunos terão empréstimo de notebook e chips

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2021 | 15h47

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) decidiu manter aulas remotas na graduação durante todo ano letivo de 2021. A decisão foi tomada para facilitar o planejamento das 34 unidades, espalhadas em 24 municípios do Estado de São Paulo. A universidade considera pouco provável que uma eventual melhora nos indicadores da covid-19 seja suficiente para garantir o retorno com segurança neste ano. As universidades estaduais paulistas adotaram atividades remotas para os cursos de graduação desde março do ano passado. A exceção é para as aulas de cursos de Saúde, que estão autorizadas pelo governo estadual. 

A decisão da Unesp foi tomada após debates da Reitoria com órgãos colegiados e um comitê formado por cientistas, médicos e servidores técnicos. O grupo considerou que há um “modelo arrastado” de combate à pandemia no País. "Esta decisão de recomendar o ensino remoto até dezembro de 2021 pode ser revista caso o quadro se modifique, mas o comitê considera ser muito difícil que isso ocorra, pela análise dos dados epidemiológicos. Não existe outra alternativa que não o isolamento social imediato", informou a universidade ao Estadão.  

Segundo a Unesp, a distribuição das unidades em 24 cidades do Estado de São Paulo traz maior complexidade para o retorno das atividades presenciais. "Algumas delas se mostraram centros dispersores da doença e 14 delas têm apresentado indicadores sanitários e epidemiológicos piores que a média paulista no que se refere à covid-19."

A decisão também considera que os estudantes de graduação, em sua maioria adultos jovens, ainda estão distantes das prioridades para vacinação. Em 2021, as atividades presenciais, quando possíveis, vão priorizar as práticas, atividades de internato e estágios na área da Saúde. 

A adoção do ensino remoto este ano se soma a investimentos tecnológicos para garantir que os estudantes tenham acesso aos equipamentos. A universidade vai fazer o empréstimo de até mil notebooks para alunos que não tenham computadores. Esses equipamentos serão acompanhados de chips para acesso à internet. A seleção dos estudantes atendidos vai levar em consideração questões acadêmicas e a condição de vulnerabilidade do aluno.

No ano passado, a universidade já havia comprado dois mil chips de telefonia móvel para seus alunos.  A Unesp também pretende ampliar a capacitação de profissionais para a continuidade das aulas remotas neste ano. 

Outras instituições também já planejam ensino remoto pelos próximos meses. É o caso da Universidade de São Paulo (USP), que definiu que as aulas neste primeiro semestre letivo serão remotas, com autorização para atividades presenciais de reposição de aulas práticas “desde que se cumpra rigorosamente o protocolo de biossegurança”. O semestre letivo na USP começa em abril. 

Ainda não há decisão sobre o modelo de aulas para o segundo semestre na USP e um grupo de trabalho criado especificamente para definir o retorno ao câmpus e as medidas de segurança faz avaliações da situação epidemiológica constantemente.

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a previsão é de atividades predominantemente remotas no primeiro semestre com suspensão das atividades presenciais não essenciais. Para o segundo semestre ainda não há previsão, segundo a reitoria.   

 

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