Unesco prega investimento na qualificação de jovens

Para que haja crescimento econômico, os países pobres e em desenvolvimento precisam investir na qualificação dos jovens. E isso não significa inseri-los no ensino superior. É preciso oferecer caminhos alternativos para que essa população adquira noções básicas de leitura, escrita, conhecimentos matemáticos e, consequentemente, oportunidade de emprego.

Ocimara Balmant, de O Estado de S. Paulo,

16 Outubro 2012 | 10h11

Só nos países em desenvolvimento, 200 milhões de pessoas com idade entre 15 e 24 anos não completaram o ensino fundamental. Dos que estão empregados, mais de um quarto recebe menos de US$ 1,25 por dia, o que os faz viver abaixo da linha da pobreza.

Os números são do 10.ºRelatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, que será lançado hoje pela Unesco. O documento mostra a evolução dos objetivos da Educação para Todos, que preveem, entre outras metas, programas de aprendizagem de competências para os jovens e redução dos níveis de analfabetismo dos adultos.

“Em muitos países, a oferta de uma educação de qualidade a todos, que forneça as habilidades necessárias para o mercado, ainda é um sonho distante. Enquanto o mercado de trabalho exige competências, a grande maioria dos alunos sai da educação básica estando longe de ter todas as competências básicas adquiridas”, afirma Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann.

Se for considera da apenas a região compreendida pela América Latina e pelo Caribe, o relatório mostra que 25% dos habitantes vivem em favelas e a população jovem – que já corresponde a 50% dos cidadãos e continua crescendo – segue sem o direito à educação assegurado.

“Quando olhamos os países da América Latina em avaliações externas como o Pisa (que mede o desempenho de jovens de 15 anos em português, matemática e ciência), por exemplo, não estamos verificando problemas que impactam apenas o progresso profissional, até porque boa parte das competências necessárias não são avaliadas nesse tipo de instrumento. Estamos, na verdade, discutindo a importância do direito a um aprendizado que garanta a todos oportunidades semelhantes”, completa Faria.

O relatório calcula que são necessários US$16 bilhões para universalizar a educação fundamental e outros US$ 8 bilhões para garantir acesso ao ensino médio.

Sinais

Para a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Rebeca Otero, os dados mostram que, apesar de o País ter avançado na oferta do ensino fundamental, é preciso garantir qualidade.“Se o aluno não consegue entender o que lê, não faz um ensino médio ou profissionalizante satisfatório e, logo, não fica preparado para o mercado.”

Um despreparo que tem sido refletido nos altos índices de evasão–cerca de 50% dos matriculados abandonam a escola antes de terminar o ensino médio – e na taxa de desemprego que atinge um em cada cinco jovens.

Para mudar esse cenário, avalia Rebeca, é preciso investir em infraestrutura, gestão de qualidade e formação de professores. O relatório sugere que os currículos do ensino médio sejam equilibrados entre habilidades técnicas e vocacionais e que contemplem as chamadas habilidades  transferíveis, como confiança e comunicação, requisitadas pelo mercado. Além disso, recomenda que as ações deem prioridade aos desfavorecidos, principalmente às mulheres e aos pobres em zonas rurais.

O investimento vale a pena. O relatório estima que cada dólar gasto com a educação de uma pessoa gera US$ 10 a US$ 15 em crescimento econômico ao longo do tempo de trabalho dela.

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