FEA
Daielly Melina Nassif Mantovani é professora de Análise da Decisão na FEA-USP FEA

Um jogo em que todos viram profissionais. A gamificação se tornou tendência até em faculdades

Além de deixar as aulas mais dinâmicas e reduzir retenções, o uso de games possibilita maior retenção dos conteúdos e desenvolvimento de criatividade, colaboração e autonomia

Alex Gomes e Ocimara Balmant, especial para o Estadão

31 de março de 2022 | 10h00

Uma cena no mínimo angustiante: o estudante de Enfermagem tem a missão de aplicar a dosagem exata de um medicamento que, se incorreta, pode levar a complicações graves ou até ao óbito do paciente. Após muito refletir, o aluno define a dosagem, prepara a seringa e faz a aplicação. O resultado? Uma mensagem pipoca no computador com o aviso de que o procedimento foi correto e, com isso, ele obteve 500 pontos.

"Meus alunos adoram atividades gamificadas. São propostas que fogem da rotina e eles se dedicam bastante, ficam mais motivados para desenvolver novos aspectos de aprendizagem e habilidades diferentes", explica Sandra Hass, professora das disciplinas de Farmacologia do curso de Farmácia da Universidade Federal do Pampa – Unipampa. "As taxas de reprovação diminuíram drasticamente".

Por meio de jogos e atividades lúdicas, as metodologias de gamificação chegaram primeiramente à educação básica e agora ganham espaço no ensino superior. Em síntese, trata-se da aplicação de estratégias típicas de jogos – como desafios e competições simuladas – que trazem uma série de benefícios relacionados tanto às habilidades técnicas como às socioemocionais. Além de deixar as aulas mais dinâmicas, o uso de games possibilita maior retenção dos conteúdos e desenvolvimento de criatividade, colaboração e autonomia.

As aulas do curso de Farmácia na Unipampa contam com metodologias de gamificação desde 2016 e, além dos ganhos pedagógicos, houve um benefício ambiental: a redução do uso de testes com presença de animais. Com os simuladores dos games, os alunos aprendem sobre os efeitos dos compostos em organismos sem que os bichos tenham de ser submetidos aos experimentos. 

"Geralmente se utilizavam animais no ensino para ver a ação de um composto no sistema cardiovascular e respiratório, por exemplo. Muitos alunos até se recusavam a fazer as aulas. Na gamificação temos softwares que são capazes de demonstrar o mesmo efeito, com recursos que tornam o aprendizado ainda melhor", completa Hass.

Game nas humanas

Jogar também é coisa de quem faz cursos da área de Humanas. Na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA-USP), alunos do curso de graduação em contabilidade criam e administram empresas fictícias cujo desempenho determina as notas de avaliação acadêmica. 

As atividades acontecem na disciplina "Análise da Decisão", com alunos organizados em equipes e com exercícios práticos daquele ramo de negócios. Um exemplo foi quando a turma se dividiu na gestão de empresas do segmento de moda. 

"Os grupos criaram marcas para as empresas, podiam ser concorrentes ou parceiros, produziram vídeos institucionais e utilizaram modelos matemáticos para tomada de decisão" explica Daielly Melina Nassif Mantovani, professora da disciplina.

No percurso, os estudantes apresentavam os planos de atuação – que poderiam seguir fases como de expansão dos negócios ou, se não estavam indo bem, cronograma de recuperação dos lucros. 

Assim como ocorre com o "passar de fase" no universo dos games, a professora notou constante progressão dos alunos, resultado principalmente de um elemento determinante da gamificação: as avaliações constantes feitas por indicadores de desempenho coletivos e individuais.

"Foi essencial a estratégia de feedback rápido, profundo e personalizado. Isso permitia que cada um percebesse o que precisava melhorar e assim o investimento nos pontos de aperfeiçoamento era mais objetivo. Os jovens, já acostumados com os videogames, passam a aprender de forma mais interessante."

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Universidades da era da Inteligência Artificial, em que alunos parecem estar em 'salas de ficção'

Na realidade virtual, equipamentos como sensores de movimentos, luvas e óculos podem ser acoplados ao corpo do estudante para tornar a simulação mais verossímil e permitir a imersão em uma situação próxima da real

Alex Gomes e Ocimara Balmant, especial para o Estadão

31 de março de 2022 | 10h00

Com os avanços tecnológicos, cenas típicas de filmes de ficção científica se tornaram reais em salas de aula. Recursos como realidade virtual e realidade aumentada ganham espaço em cursos de graduação da área de Saúde, com detalhes típicos de produções hi-Tech hollywoodianas. As tecnologias permitem aos estudantes ver ambientes ou objetos em três dimensões e em tempo real, com uma interação próxima à que ocorre no mundo físico. Na realidade virtual, equipamentos como sensores de movimentos, luvas e óculos podem ser acoplados ao corpo do estudante para tornar a simulação mais verossímil e permitir a imersão em uma situação próxima da real.

"Os alunos podem ter a experiência de estar em um hospital público, por exemplo, conhecendo em detalhes o ambiente e ganhando segurança antes de ter o contato com o paciente", explica Priscila Cruzatti, Gerente de Inovação e Saúde Digital do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

As Faculdades Oswaldo Cruz contam com o Centro de Inovação e Saúde Digital, que atende todos os alunos da instituição, como os da graduação em enfermagem, tecnólogos em Radiologia e os matriculados em cursos de pós-graduação. Na instituição, um tópico importante dentro da realidade virtual é a atuação em sala cirúrgica. Toda a atividade é construída tendo como base as salas cirúrgicas do hospital,  locais nos quais os alunos farão o futuro desenvolvimento das práticas. "O aluno reconhece o instrumental, como equipamentos de anestesia. Também aprimora suas decisões, escolhendo como vai montar os ambientes. Há pontuações e caso não consiga o resultado esperado, repete a experiência imersiva quantas vezes forem necessárias" explica Letícia Faria Serpa, Gerente de Educação do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Além do aprimoramento técnico, a realidade virtual também auxilia no desenvolvimento de habilidades socioemocionais. A competência de comunicação efetiva é uma delas. "Há momentos imersivos nos quais se treina a comunicação de más notícias ao paciente. Temos a possibilidade de gravar as atividades e depois debatê-las, analisando ações que poderiam ter sido feitas de outra forma e enriquecendo o aprendizado". 

Realidade Aumentada

Enquanto na realidade virtual o estudante é transportado para um outro ambiente, a realidade aumentada mescla elementos virtuais e reais com o uso de aparelhos como celulares e tablets. É como no jogo Pokemon Go, no qual os monstrinhos aparecem na tela do celular quando o usuário aponta a câmera do equipamento para certas partes da cidade. A realidade aumentada é uma das tecnologias que compõem o currículo dos alunos da Universidade do Oeste Paulista – Unoeste. A instituição possui a sala Betha, um ambiente que reúne mesas interativas, holografia, peças impressas em 3D, celulares, tablets e projetores. Recursos que possibilitam, por exemplo, acompanhar uma cirurgia em tempo real em diferentes perspectivas.

O espaço atende alunos das graduações em Biomedicina, Educação Física, Farmácia, Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição, Odontologia e Psicologia.

De acordo com as demandas dos professores, são preparados aplicativos específicos para cada atividade, bem como elementos podem ser gerados em impressoras 3D para

garantir precisão aos estudos. Nas aulas de Medicina, por exemplo, é possível combinar objetos impressos tridimensionais a imagens criadas em um telefone celular. Se o objeto impresso é um coração, ao direcionar a câmera do celular o órgão pode aparecer de forma animada, com o pulsar das veias e os batimentos. 

Ao mesmo tempo, uma tela touch screen apresenta infográficos que explicam o órgão em detalhes. "Alunos visitantes que experimentaram a tecnologia nos dizem que compreendem em minutos conceitos que levavam meses para entender", explica Antônio Sérgio Alves de Oliveira, designer instrucional responsável pela criação da sala Betha. 

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Cruzeiro do Sul Virtual investe em carreira para expandir perspectiva profissional de estudantes

Com acompanhamento de mentores e cursos a distância customizáveis, marca prepara alunos para se destacarem no mercado ou para empreenderem em um negócio próprio

Cruzeiro do Sul Virtual, Estadão Blue Studio
Conteúdo de responsabilidade do anunciante

31 de março de 2022 | 07h00

Há algumas décadas, a definição de sucesso na carreira estava muito atrelada à ideia de “ter um bom emprego”. Em pleno 2022, porém, essa leitura é mais ampla e abre espaço para um novo conceito, chamado de trabalhabilidade.

Em linhas gerais, trabalhabilidade é a capacidade de gerar trabalho, renda e riqueza em diversas atividades, como esclarece Angelita Mattos, coordenadora do Núcleo de Empreendedorismo, Trabalhabilidade e Inovação da Cruzeiro do Sul Virtual, marca de educação a distância (EaD) da Cruzeiro do Sul Educacional.

“O mundo do trabalho mudou. Sabemos que estar em uma empresa por um longo tempo não é mais tão comum, devido a mudanças que afetam desde o cenário econômico até questões de desenvolvimento profissional e de processos organizacionais”, explica.

A coordenadora ressalta ainda que buscar uma vaga em uma empresa já não é a única opção profissional disponível ao terminar um curso. “Uma pessoa pode estar empregada e, ao mesmo tempo, investir em seu próprio negócio, ou até ter vários empregos simultâneos. Mudanças na legislação e o home office têm beneficiado isso.”

Embora seja cada vez mais comum, diversificar a carreira e empreender com sucesso ainda são desafios para os brasileiros. Relatório divulgado pelo Sebrae em 2021, por exemplo, mostra que o País tem cerca de 43 milhões de empreendedores, mas apenas 14 milhões têm negócios estabelecidos no mercado.

Para impulsionar esse desenvolvimento, a Cruzeiro do Sul Virtual criou um Programa de Trabalhabilidade e Carreira, que atende todos os cursos de EaD, e funciona em duas frentes. A primeira conta com a oferta semestral de um componente de estudos que ajuda o aluno a pensar seu futuro e a progredir na vida profissional. 

“São trilhas que estão presentes em todos os cursos e têm foco em planejamento de carreira, com atividades de autoconhecimento, empreendedorismo, construção de currículo e de perfil profissional online, dentre outras”, explica Angelita.

Em outra frente, a marca de EaD disponibiliza uma plataforma exclusiva que orienta os alunos gratuitamente, permitindo ampliar suas chances no mercado de trabalho, e com o respaldo de um mentor virtual. “Nesse programa, ajudamos o aluno a identificar seus gostos, potencialidades e paixões, para que ele possa conciliar com a profissão que ele escolheu e com o que o mercado de trabalho está exigindo naquele determinado momento”, pontua a coordenadora. 

Mentoria e trilhas personalizáveis de aprendizagem

O acompanhamento de mentores e a flexibilidade em todos os cursos é um dos diferenciais da Cruzeiro do Sul Virtual. De acordo com Carlos Fernando de Araújo Jr., diretor de Educação a Distância, todos os alunos contam com apoio constante de especialistas ao longo da jornada de formação.

“Temos um modelo de educação que se baseia em três pilares, para que o aluno tenha uma prática imersiva de aprendizagem: engajamento, relacionamento e experiência”, explica. Os matriculados contam com a figura de um coordenador, dos professores e de um tutor-mentor que os acompanha em sua formação, engajando-os e se relacionando com eles em diversos momentos.

Ainda segundo o diretor, esse acompanhamento serve não apenas para o aluno delinear o futuro profissional que almeja, mas também para acompanhá-lo na escolha de suas trilhas de aprendizagem, outro destaque da Cruzeiro do Sul Virtual e que permite a criação de um currículo flexível para cada perfil. 

“Nós queremos que o engajamento, o relacionamento e a experiência resultem nas competências específicas de cada área e nas competências amplas, que chamamos também de socioemocionais”, destaca.

Partindo da escolha dos alunos, as trilhas são compostas por conjuntos de disciplinas agrupadas de acordo com temas para aprofundamento, tanto na área de formação específica quanto em outras áreas pelas quais os alunos tenham interesse. 

“São mais de 400 formações dentro de quase 100 trilhas organizadas pelos coordenadores. Nenhum aluno segue o mesmo percurso, e isso consta inclusive no histórico escolar, mostrando seus interesses diversos ao longo do curso”, afirma Araújo Jr.

Foco na felicidade profissional e pessoal

Dentro das trilhas, um curso específico ganhou tanto destaque nos últimos dois semestres que a Cruzeiro do Sul Virtual optou por disponibilizá-lo de forma gratuita e aberta. 

Chamado de “Felicidade e Qualidade de Vida”, o programa apresenta seis módulos com abordagens para o conceito de felicidade, bem como sua transformação ao longo do tempo e sua conexão com diversas áreas do pensamento e da sociabilidade humana. O curso está disponível neste link  até o dia 04 de abril.

Segundo o diretor, essa oferta também dialoga com os princípios da marca. “Os principais motivos pelos quais os alunos nos procuram são valorização profissional e inserção no mercado de trabalho. Nós temos que oferecer isso considerando o ser humano de uma perspectiva integral, entendendo que a pessoa tem diferentes dimensões”, conclui.

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