Um em cada cinco adultos no mundo é analfabeto, diz ONG

774 milhões de adultos no planeta ainda não foram alfabetizados e 75 milhões de crianças estão fora da escola

Efe

08 de setembro de 2008 | 21h06

Um em cada cinco adultos no mundo todo não sabe ler nem escrever, afirmou a ONG espanhola Manos Unidas nesta segunda-feira, 8, Dia Internacional da Alfabetização. Cerca de 774 milhões de adultos no planeta ainda não foram alfabetizados e 75 milhões de crianças estão fora da escola, indicadores de que um dos Objetivos do Milênio estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) para 2015 está longe de ser cumprido, afirma em nota a Manos Unidas. Com relação à saúde, quinto Objetivo do Milênio, as Manos Unidas lembra as palavras do diretor-geral da Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Koichiro Matsuura. "Uma pessoa analfabeta é mais vulnerável a ter problemas de saúde e é menos provável que ela busque assistência médica para si mesma, sua família ou sua comunidade", destacou Matsuura. A ONG espanhola afirma que um estudo realizado em 32 países revela que as mulheres com ensino médio têm cinco vezes mais chances de receber informação sobre a aids do que as analfabetas, e que a mortalidade infantil é maior quando a mãe não sabe ler nem escrever. A ONG Intervida, que desenvolve no Senegal planos para acabar com o analfabetismo e atende centros socioculturais que oferecem formação técnica e profissional, informa que no mundo 51% dos jovens, 133 milhões, de entre 15 e 24 anos, são analfabetos. A Intervida lembra que a aplicação e elaboração de estratégias que proporcionem aos jovens um trabalho digno e produtivo é outro dos Objetivos do Milênio da ONU, e que este é um segmento da população que registra a metade dos desempregados do mundo, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A organização diz ainda que a África Subsaariana, uma das regiões mais pobres do planeta, tem as taxas mais altas de desemprego. A Intervida afirma que, segundo dados do Banco Mundial, 25% das pessoas que vivem em condições de extrema pobreza, com menos de US$ 1 por dia, são jovens. Analfabetismo "residual" O diretor do Instituto de Educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Adame Ouane, disse hoje que o analfabetismo na América Latina e no Caribe já é um problema "residual". Ele alertou aos Estados da região para continuar trabalhando na erradicação total do problema. Na América Latina, há 35 milhões de analfabetos, e na última década o índice de alfabetização cresceu de 89% para 91% da população total, mas continua significando "um sério desafio para a região", afirmou Ouane. "Temos somente um nível residual de analfabetismo com o qual a região pode provavelmente se ajeitar, mas não é um assunto a ser ignorado porque há em outros países, por exemplo, alguns do Caribe, taxas de alfabetismo de só 74%", disse. Ouane manifestou em entrevista coletiva que hoje é uma data importante para "chamar a atenção da comunidade internacional sobre a situação do alfabetismo no mundo e para celebrar as conquistas no tema dos países-membros das Nações Unidas". "Vivemos em um mundo alfabetizado", já que a maior parte da população do planeta sabe ler e escrever, disse, mas alertou que um em cada cinco adultos no mundo não tem estas habilidades básicas - em torno de 774 milhões de pessoas. "Esta situação é intolerável", denunciou durante seu discurso, feito no mesmo dia da celebração mundial do Dia Internacional da Alfabetização. O funcionário da Unesco lembrou que ser alfabetizado é importante na vida das pessoas para que tenham participação plena em suas comunidades e para melhorar a saúde, a participação política, a luta contra a aids e o desenvolvimento sustentável dos países. A meta da Unesco é que, até 2012, o analfabetismo seja reduzido mundialmente em 50%, mas há "um longo caminho para percorrer", afirmou Ouane. Neste sentido, o especialista ressaltou que há 35 países no mundo, 19 deles na África, onde o analfabetismo atinge 50% da população.

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