Um em cada 5 alunos do fundamental está atrasado na escola

Justificativa seria a diminuição da política de progressão continuada no País

Agência Brasil

13 Julho 2011 | 13h41

Um em cada cinco estudantes brasileiros do ensino fundamental está atrasado na escola. No ensino médio, pelo menos três em cada dez alunos também estão nessa situação. É o que mostram os dados do Censo Escolar 2010 sobre as taxas de distorção idade-série. O indicador mede a proporção de alunos que não está matriculada na série indicada à faixa etária.

Pela legislação que organiza a oferta de ensino no País, a criança deve ingressar aos 6 anos no 1° ano do ensino fundamental e concluir a etapa aos 14. Na faixa etária dos 15 aos 17 anos, o jovem deve estar matriculado no ensino médio. De 2008 a 2010, o percentual de alunos fora da série adequada para a idade registrou leve alta. Em 2008, a taxa era 22,1% no ensino fundamental, passou para 23,3% em 2009 e para 23,6% em 2010. No ensino médio, o percentual era de 33,7% em 2008, foi para 34,4% em 2009. No ano passado, chegou a 34,5%.

Para a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar Lacerda, essa estagnação é resultado do arrefecimento da política de progressão continuada. Muitas redes de ensino que tinham como orientação a não reprovação dos alunos nos primeiros anos do ensino fundamental mudaram essas diretrizes. “Isso provocou uma manutenção da reprovação, quando ela é a grande causa da distorção idade-série. Hoje já se pensa em políticas de correção de fluxo e de aprendizagem sem usar a reprovação, como o reforço escolar”, explica.

Apesar da estabilidade na taxa de distorção da idade-série nos últimos anos, Maria do Pilar destaca que na última década a redução do índice foi maior: entre 2001 e 2011 essa diferença caiu 16 pontos percentuais no ensino médio e 19 pontos percentuais no ensino médio. Ela acredita que a taxa deve continuar a cair e aponta que o patamar adequado seria entre 3% e 4%.

“Por exemplo, um aluno com necessidades especiais às vezes tem uma adaptação escolar mais difícil, principalmente quando vem de uma escola especial. Ou uma criança que deixou a escola por algum tempo por problemas familiares. Você pode ter algum tipo de distorção idade-série, mas ela teria que ser sempre traço. Nunca poderíamos achar que 10% já é um índice bom”, avalia.

A taxa de distorção idade-série atinge picos no 6° ano do ensino fundamental, onde 32% dos alunos estão atrasados, e no 1° ano do ensino médio, quando o problema atinge 37,8% dos jovens. Segundo Pilar, o MEC preparou um material específico para trabalhar com alunos de 15 a17 anos que ainda estão no ensino fundamental. Será uma espécie de “curso” especial em que o conteúdo será ministrado de forma diferenciada, bem como a organização dos alunos. Em 2009, metade dos adolescentes de 15 a 17 anos não frequentava a série adequada para sua faixa etária, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O projeto permitirá que em um ano ele receba o certificado de conclusão e possa seguir para o ensino médio. O material estará disponível no site do MEC e também poderá ser solicitado pelas escolas. Na avaliação da secretária, os adolescentes repetentes que estudam com crianças mais novas acabam com problemas de socialização. “Ele fica convivendo com grupos de idade que não têm muito a ver com ele. E começa a ser visto como o bagunceiro, aquele que é expulso de sala, o mau aluno”, aponta.

 

Veja distorções idade-série no ensino fundamental:

 

 São Paulo  8,40%
 Paraná  14,80%
 Santa Catarina  15,20%
 Distrito Federal  17,90%
 Mato Grosso  18,30%
 Minas Gerais  19,30%
 Espírito Santo  20,60%
 Goiás  21,70%
 Rio Grande do Sul  22,60%
 Roraima  22,80%
 Tocantins  22,80%
 Ceará  25,50%
 Rondônia  26,90%
 Mato Grosso do Sul  27%
 Amapá  27,10%
 Rio de Janeiro  28%
 Acre  29,10%
 Pernambuco  29,70%
 Maranhão  30,50%
 Rio Grande do Norte  31,10%
 Paraíba  34,50%
 Piauí  34,80%
 Alagoas  35,40%
 Amazonas  35,80%
 Sergipe  37,90%
 Bahia  38,10%
 Pará  39,90%
 

Veja distorções idade-série no ensino médio:

Santa Catarina 16,40%
São Paulo  18,10%
 Roraima  23,50%
 Paraná 23,90%
 Espírito Santo 25,10%
 Distrito Federal 29,40%
 Rondônia  30,30%
Rio Grande do Sul  30,50%
 Minas Gerais 31,30%
Mato Grosso do Sul 33,10%
 Goiás  33,60%
 Tocantins  34,20%
 Ceará 34,70%
Mato Grosso 35,50%
 Acre  36,30%
 Paraíba  41,70%
 Amapá  42,60%
 Rio de Janeiro 43,50%
 Rio Grande do Norte  45,40%
 Maranhão 48,30%
Pernambuco  49,10%
Alagoas 49,40%
 Bahia 49,70%
 Amazonas 51%
 Sergipe 51,60%
 Piauí 56,70%
 Pará 59,20%

 

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