Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Um colégio que combine com o perfil do aluno é a prioridade dos pais

Responsáveis vêm buscando instituições de linha pedagógica no estilo da família e recorrem à ajuda da psicopedagogia

Thaís Ferraz, especial para o Estado

14 de setembro de 2019 | 14h00

SÃO PAULO - Durante muitos anos, as duas filhas da advogada Andrea Bussab, de 41 anos, estudaram na mesma escola, pequena, com poucos alunos. No fim de 2018, a caçula, Larissa, manifestou vontade de mudar de colégio. Juntas, mãe e filha partiram em busca da opção ideal. 

“Nós contamos com a ajuda de uma psicopedagoga, que elaborou uma lista de escolas a partir do perfil da Larissa”, conta Andrea. “Ela buscava um espaço maior, um colégio mais globalizado, e esse foi o nosso norte.”

A família visitou alguns colégios e acabou se decidindo pelo Porto Seguro.

“Lá, a Larissa se encontrou e ficou super feliz, está imersa no alemão, pensando em fazer intercâmbio”, diz Andrea. “Ela até descobriu uma veia artística, com ajuda de uma professora de Artes.”

A decisão da melhor escola para os filhos deve levar em consideração o perfil do aluno. Para quem quer prestar Medicina, por exemplo, pode ser mais interessante uma escola conteudista, enquanto um aluno com perfil mais criativo pode se sentir preso em colégio tradicional.

Com inspiração socioconstrutivista, a Escola Castanheiras investe em um currículo que relaciona teoria e prática.

“Sentíamos a necessidade de que a escola fosse mais do que isso e se tornasse um nicho cultural”, explica a coordenadora pedagógica, Ester Malka Broner Giannella.

Para ela, a escola tem de combinar com a identidade da família. “Os pais têm uma trajetória escolar e às vezes procuram o que não tiveram. É importante que isso seja considerado”, diz. “Ao mesmo tempo, é preciso observar o filho no projeto da escola, percebê-lo engajado, notar se produz conhecimento, se tem espaço para desenvolver suas inquietações”. 

Pai de duas meninas que estudam na Castanheiras, Marco Barcellos conta que o perfil da família influenciou sua decisão.

“Minha esposa e eu sempre priorizamos métodos de ensino mais modernos.”

Ele conta que, no começo, houve uma preocupação com a “validade” do método de ensino conforme Clara e Catarina fossem crescendo e se aproximando do vestibular.

“Mas hoje, além de termos certeza de que elas estão preparadas também para isso, pensamos que nem sabemos se vão querer trilhar esse caminho”, diz Marco. “Elas podem querer empreender ou se dedicar a alguma área específica, e não conseguimos prever isso.” 

Para todos

A diretora-geral pedagógica do Colégio Dante Alighieri, Valdenice Minatel, afirma que as escolas precisam estar prontas para estudantes de vários perfis.

“Cada criança é muito diferente da outra, a sala de aula é bem heterogênea, e os profissionais precisam estar atentos a isso.” A acessibilidade entra nessa conta. “A infraestrutura da escola é muito importante, e sempre nos preocupamos com isso.”

Mãe de João, de 16 anos, a agente de investimentos Adriana Takaki conta que a acessibilidade foi um dos critérios fundamentais para sua decisão de matricular o filho no Dante.

“A escola já cumpria a lei, mas me surpreendeu ao levá-la de fato à prática”, diz. “Se o João mudava de prédio, a escola passava um pente fino na estrutura, adaptava da melhor forma possível para cadeira de rodas.”

Segundo a coordenadora-geral pedagógica do Dante, Sandra Tonidandel, o colégio busca atender a várias demandas e expectativas dos alunos. Para isso, promove atividades como o Projeto Cientista Aprendiz. Nele, os alunos fazem pesquisas com a ajuda de um professor orientador. 

“Nem todos os alunos vão virar cientistas, mas todos serão capazes de trabalhar com dados e evidências em qualquer área.”

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