UFRJ deve facilitar aprovação de aluno de escola pública

Em vez de cotas para negros, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) deve criar cotas para alunos de escolas públicas. O reitor Aloizio Teixeira anunciou que no próximo vestibular da instituição os candidatos oriundos da rede pública que não conseguissem classificação devem ser pinçados para preencher 20% das vagas. Ele não detalhou o sistema de escolha destes estudantes, o que prometeu fazer na próxima segunda-feira.Teixeira apresentou a proposta aos órgãos colegiados da universidade. Se for aprovada nos conselhos, a medida seria o primeiro passo da UFRJ no sentido de eliminar o vestibular.Avaliação progressivaNa opinião do reitor, o sistema de cotas para negros e alunos de baixa renda não elimina o gargalo do acesso à universidade que representam hoje as provas. O objetivo de Teixeira é criar uma nova forma de acesso para alunos da rede pública, feita com uma avaliação progressiva ao longo do ensino médio no contexto das escolas.Isso evitaria que escolas públicas melhor estruturadas, como os colégios de aplicação e escolas técnicas, concentrassem as vagas reservadas. O programa poderia contar com a adesão voluntária de escolas particulares num segundo momento.De acordo com estimativas feitas pela reitoria, só a reserva imediata de 20% das vagas mudaria o perfil dos alunos de cursos mais disputados como Medicina, Direito e Engenharia. Já os cursos que alcançam mais de 50% de alunos vindos da rede pública, dispensariam o mecanismo.DescontentamentoA proposta do reitor, que rejeita as cotas raciais, causa descontentamento entre os integrantes da organização não-governamental Educafro, que ministra cursos pré-vestibulares para jovens negros e carentes e tem feito protestos nas unidades da UFRJ. Na última segunda-feira, um debate sobre a reforma universitária entre o reitor e o dirigente da ONG, Frei David, dividiu os alunos da Faculdade de Direito.Enquanto boa parte aplaudiu, a outra vaiou o grupo de 80 alunos negros da Educafro que protestaram na platéia com os braços entrelaçados em forma de corrente. "O reitor nos disse, numa reunião realizada no ano passado, que tinha uma proposta de cotas para negros e nos surpreendemos em janeiro com a comissão que ele instituiu para cotas de escolas públicas. Vamos ficar vigilantes. Se a proposta, que ainda não está clara, não agradar nossos protestos vão continuar", disse o frade.

Agencia Estado,

19 de março de 2004 | 11h46

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