Ufes demite professor acusado de racismo

Em 2014, Manoel Luiz Malaguti Barcelos afirmou que, 'se tivesse de escolher entre um médico branco e um negro, escolheria o branco'

Lucas Lopes, ESPECIAL PARA O ESTADO

09 Novembro 2015 | 20h20

A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) informou nesta segunda-feira, 9, a demissão do professor Manoel Luiz Malaguti Barcelos, acusado de comentários racistas em novembro do ano passado. A decisão ainda não foi publicada no Diário Oficial da União, porém Barcelos já foi comunicado sobre o parecer da reitoria.

A decisão é referente a dois processos movidos contra Malaguti. Em novembro do ano passado, o professor do Departamento de Economia foi denunciado por estacionar seu carro em local indevido, bloqueando a passagem para uma rampa de acesso a deficientes físicos, e por ter feito comentários racistas durante uma aula para alunos do 2.º período de Ciências Sociais.

De acordo com relatos, na época, Malaguti havia dito durante aula que, "se tivesse de escolher entre um médico branco e um negro, escolheria o branco". O professor chegou a confirmar suas declarações em entrevista ao jornal Gazeta Online. Na ocasião, ele alegou que "os negros, em média, vêm de comunidades menos privilegiadas" e, por isso, "não têm uma socialização primária na família, que os torne receptivos aos trâmites da universidade".

Ao tomar conhecimento do caso, a reitoria afastou o professor por um mês e instaurou uma sindicância no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas. Os trabalhos duraram 30 dias. Em seguida, o reitor da UFES, Reinaldo Centoducatte, abriu um processo administrativo disciplinar para julgar o caso.

Na sexta-feira, 6, Malaguti foi informado da demissão pelo chefe de gabinete da reitoria da Ufes, Edebrande Cavalieri. Nesta segunda-feira, 9, a vice-reitora em exercício, Ethel Maciel, assinou a decisão que seguiu para Brasília para ser publicada no DO. 

O professor poderá recorrer da decisão em duas instâncias: na Justiça comum e no Conselho Universitário da Ufes, uma vez que toda a decisão do reitor pode ser questionada na instância máxima da instituição.

Malaguti enfrenta resistência na universidade desde o incidente. Dois dias após suas declarações, cerca de 300 alunos realizaram um protesto no qual pediam a exoneração do professor. Estudantes se recusavam a assistir às aulas do docente, que, depois do afastamento, passou a lecionar apenas as disciplinas complementares do Departamento de Economia.

O Estado procurou Malaguti, mas o professor não atendeu às ligações.

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