UFBA investiga segunda suspeita de fraude

Depois do primeiro caso comprovado de fraude no sistema de cotas do vestibular da Universidade Federal da Bahia (UFBA), cometido pela estudante de Medicina Tatiane Amorim Brito - que teve sua matrícula cancelada há duas semanas -, a Procuradoria Jurídica (PRJ) da UFBA analisa a denúncia de que outro estudante do mesmo curso também teria burlado o concurso, identificando-se como "indiodescendente" e estudante da rede pública.Pelas regras da UFBA, 45% das vagas do vestibular são destinadas para o sistema de cotas raciais, sendo 43% do total de vagas destinadas para afrodescendentes e 2% para indiodescendentes. Contudo, outra precondição é que os candidatos que se apresentem nesses grupos tenham estudado sempre em escolas públicas.O estudante suspeito, cujo nome ainda está sendo preservado pela PRJ, foi denunciado por uma carta postada na cidade dele, Canavieiras, sul da Bahia. Ao se matricular ele apresentou um documento da Fundação Nacional do Índio (Funai) para comprovar ser de origem indígena. Ele também apresentou certificados de conclusão do ensino fundamental e do médio de escolas públicas.Ocorre que numa primeira checagem junto à Secretaria Estadual de Educação após a denúncia, o nome do estudante não aparece no banco de dados do órgão como tendo freqüentado a rede pública. A investigação será aprofundada na próxima semana e se for comprovada a fraude, o suspeito terá sua matrícula cancelada e vai ser indiciado por falsidade ideológica e falsificação de documento público.Nos próximos dias, o procurador da Cidadania do Ministério Público Federal de Salvador Sidney Madruga, que descobriu e está investigando o esquema de falsificação, deve tomar o depoimento da estudante Tatiane Brito, a primeira a ser flagrada fraudando o sistema de cotas na UFBA. Casos semelhantes estão sendo apurados em Pernambuco.

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