UFBA implanta tolerância zero contra os trotes

A política de "tolerância zero" implantada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) contra o trote de veteranos a calouros conseguiu erradicar a prática da instituição. A última ação violenta ocorrida na UFBA foi em janeiro de 2004 na Escola de Medicina: 15 veteranos invadiram a sala 309 e "banharam" 80 calouros com uma mistura de detergente, óleo de soja, vinagre, farinha e tinta, pichando paredes e quebrando cadeiras. A direção da Universidade abriu um processo administrativo que identificou os culpados e os obrigou a pagar pelos prejuízos causados à instituição. Por pouco não foram expulsos.O reitor Naomar Almeida Filho que combate o trote desde sua posse há três anos implantou em substituição à recepção violenta, a festa da "Calourada" que será realizada nesta quarta-feira no Campus de Ondina da UFBA com apresentações musicais de vários artistas, culminando com uma aula-show do ministro da Cultura Gilberto Gil."Não toleramos a mínima coação nas nossas unidades", declarou o reitor, explicando que ao lado de punições severas a política tem dado resultado pelo programa de conscientização junto aos alunos. "Conseguimos erradicar um ato de vandalismo que nos aproximava do primitivismo", disse Almeida Filho.Conforme a UFBA, o trote é uma tradição medieval que teria origem nas universidades portuguesas e foi trazido para o Brasil. O termo surge do fato de que os veteranos lusitanos literalmente montavam nos novatos e os obrigavam a trotar como cavalos.Com o passar dos séculos, a tradição foi se alterando e, no Brasil, os calouros passaram a ser submetidos a todo tipo de humilhação. O reitor informou que qualquer um dos 4 mil calouros terão total apoio da reitoria para denunciar os agressores se sentirem humilhados ou molestados.

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