UFBA distribuirá vagas dos fraudadores

A Universidade Federal da Bahia (UFBA) vai garantir a matrícula de todos os alunos que se inscreveram em seu vestibular pelo sistema de cotas raciais e perderam vagas para candidatos que fraudaram documentos para serem aprovados. O procurador da Cidadania Sidney Madruga, do Ministério Público Federal de Salvador, descobriu que alunos que cursaram o ensino médio em escolas particulares se inscreveram no sistema de cotas e, ao serem aprovados, apresentaram certificados falsos de que teriam estudado na rede pública. Pelas regras da UFBA, somente os alunos negros e que tenham estudado exclusivamente em escola pública podem se beneficiar das cotas. A primeira fraudadora identificada, Tatiane Amorim Brito, de 21 anos, que entrou no curso de Medicina no ano passado, teve sua matrícula cancelada e foi indiciada por falsidade ideológica. A vaga dela será destinada ao candidato classificado em 73º, pelas cotas, no vestibular 2005. A Faculdade de Medicina da UFBA oferece todo ano 160 vagas, das quais 72 são reservadas às cotas. Tatiane, que fez o ensino médio em escola particular de Salvador, mora em Vitória da Conquista, a 530 quilômetros da capital e será ouvida na Procuradoria da República na segunda-feira. Ela apresentou certificado de conclusão do ensino médio do Colégio Estadual Florêncio Gomes. O diretor da escola, Moacir Santos, disse ser comum receber telefonemas de pessoas que desconfiam da autenticidade de certificados e histórico escolar da instituição. Ele conclui que é muito fácil falsificar os documentos. Depois da descoberta da fraude, a UFBA resolveu investigar a documentação de todos os estudantes que ingressaram na universidade desde 2004 pelo sistema de cotas. Os dados serão cruzados com a listas dos formandos do ensino médio das escolas particulares baianas. Identificados novos fraudadores, suas matrículas serão canceladas. CERTIFICADOS Única instituição do Estado a adotar o sistema de cotas, a Universidade de Pernambuco (UPE), estadual, decidiu rever os certificados apresentados por alunos cotistas. "Não temos nenhum caso semelhante (ao da Bahia), mas é bom se precaver", afirmou o pró-reitor Guido Corrêa. Dez candidatos às cotas não puderam se matricular no último exame por não terem comprovado o estudo em escola pública estadual ou municipal, critério estabelecido pela UPE.

Agencia Estado,

19 de janeiro de 2006 | 10h22

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