TV digital 1.5, ou a ‘miragem’ da interatividade do público

Newton Cannito vai na contramão de quem diz que a TV vai virar internet. 'O público adora ser passivo', provoca

Carolina Stanisci, Especial para o Estadão.edu

24 Novembro 2009 | 00h27

"A televisão é fluxo. É uma máquina zen", afirma Newton Cannito, de 35 anos. Aprovada com louvor na Escola de Comunicação e Artes (ECA), da USP, sua tese de doutorado "TV 1.5 – A Televisão na Era Digital" questiona, desde o título, o papel da interatividade no futuro da televisão digital. "Como os debates sobre televisão do futuro falam em TV 2.0, quis fazer uma brincadeira. Vou na contramão de quem fala que a TV vai virar internet."   Cannito acredita que essa interatividade total entre o meio e o telespectador nunca ocorrerá, porque o público "adora ser passivo". A diferença, para o autor, é que outras mídias vão trazer complementos a respeito da história e dos personagens do seu programa. "Não é a tecnologia que vai ditar os limites da interatividade na TV digital. É o público", conclui.   A história de Cannito na ECA começou nos anos 90, durante o curso de Cinema. Ao lado de quatro colegas, lançou a Sinopse, revista que disparava críticas contra a produção cinematográfica da época. Com o estardalhaço que a publicação fez, ele acabou conhecendo gente que fazia cinema de fato, como Fernando Meirelles e Sergio Bianchi. Ajudou a roteirizar a série Cidade dos Homens e o filme Quanto Vale ou É por Quilo? Hoje, é roteirista da série 9 mm, da Fox. Inserido no mercado que tanto criticou, Cannito continuou com um pé na academia. "Gosto de estudar tendências da televisão. Gosto da TV antiga, tudo era feito ao vivo."  

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