Trinta e seis universidades federais terão vestibular do meio do ano

Entre as 63 instituições, 36 oferecem vagas; 31 vão adotar o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2

Victor Vieira e Guilherme Soares Dias, especial para o Estado, Estadão.edu

06 Maio 2014 | 03h00

Das 63 universidades federais do País, 36 abrem vagas no meio do ano – 57% do total, segundo levantamento feito pelo Estado. O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2 será utilizado por 31 instituições – o processo será aberto no fim do primeiro semestre e levará em conta as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013. Outras cinco aplicarão apenas vestibular próprio. Os candidatos poderão concorrer a cerca de 48 mil vagas* em federais de 16 Estados e do Distrito Federal.

O número de cadeiras oferecidas em cada instituição ou curso ainda está sujeito a mudanças. Isso porque os editais estão sendo finalizados, considerando a estrutura para oferta e vagas remanescentes.

Em algumas universidades haverá ingresso na segunda metade do ano, mas os calouros já foram selecionados na edição do Sisu concluída em janeiro. A federal do Sul da Bahia é a única que tem vagas pelo Sisu 2 e por processo próprio. Entre as paulistas, nenhuma abre vagas neste semestre.

O Ministério da Educação (MEC) ainda não informou a data em que começam as inscrições do Sisu 2 na internet. Em 2013, a plataforma ficou aberta durante uma semana de junho e foram ofertadas 39,7 mil cadeiras. Além das federais, outras instituições públicas entram no sistema.

O aumento de vagas no vestibular de inverno das federais se deve à expansão de cursos e câmpus nos últimos anos. O crescimento foi alavancado principalmente pelo programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), iniciado em 2007. Outra contribuição veio do programa Mais Médicos, que entre outros objetivos visa a aumentar o número de cursos e vagas em Medicina.

É o que ocorreu na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, que inicia agora oferta de 30 vagas para brasileiros e 30 para estrangeiros que queiram ser médicos.

Outra tendência revelada pelos números é a de adesão ao Sisu. Para as universidades e o governo federal, a edição semestral do exame representa uma boa economia: como os candidatos usam o Enem 2013, não é preciso fazer outro vestibular. Para os alunos, que evitam nova maratona de provas, a vantagem é também emocional.

Quem acredita, porém, que o Sisu 2 será menos exigente na seleção está enganado. "Nos cursos mais concorridos, por exemplo, as notas de corte são próximas às do começo do ano", explica André Jalles Monteiro, da Pró-Reitoria de Graduação da Federal do Ceará, responsável por um estudo sobre o Sisu.

Segundo Monteiro, o principal risco observado até agora no Sisu 2 é a evasão. "Muitos alunos que entraram em um curso que não desejavam tanto acabaram migrando para outro no segundo semestre." A mobilidade, diz ele, acontece entre instituições e até dentro da mesma universidade, o que aumenta o número de vagas ociosas. "Temos mais prejuízos do que vantagens."

Esforço. O estudante Sérgio Mariano, de 17 anos, não vai escapar da prova no meio do ano. O jovem é candidato na Universidade de Brasília (UnB), uma das cinco que têm somente seleção própria. Ele terminou o ensino médio em 2013 e tenta Medicina.

"Só tinha feito o programa de avaliação seriada e o Enem. É meu primeiro ano de cursinho, mas acho que tenho chances ", conta Mariano, que estuda cinco horas por dia em casa. "Testo provas antigas e tenho conseguido boa pontuação."

*Os números presentes nesta reportagem foram atualizados pelas universidades após o fechamento do cardeno Estadão.edu deste mês

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