Três primeiras colocadas no Enem-2007 são escolas do Rio

Todas afirmam ter a preocupação em ensinar o aluno a pensar criticamente e não memorizar o conteúdo

Fabiana Cimieri, Agência Estado

03 de abril de 2008 | 19h34

As três primeiras colocadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) são escolas do Rio que, em comum, afirmam ter a preocupação em ensinar o aluno a pensar criticamente, e não apenas memorizar o conteúdo.   Veja também: Veja especial sobre as melhores escolas públicas e privadas   Resultado do Enem-2007 foi 40% melhor que em ano anterior   Os colégios São Bento, no centro, e Santo Agostinho, no Leblon (zona sul), que aparecem nos dois primeiros lugares, sempre se destacaram no exame e estão entre os estabelecimentos de ensino mais tradicionais da cidade. A novidade foi o Mopi - Moderna Organização Pedagógica Integrada, na Tijuca (zona norte).   "Não testamos nada, a parte pedagógica não mudou nos últimos anos, mas fizemos um investimento forte na parte estrutural, para criarmos um ambiente agradável para os alunos", disse o coordenador do ensino médio, professor Afonso Celso Neves. Segundo ele, o índice de aprovação na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a mais concorrida do Estado, é de 80%.   O diretor Jesus Roitegui sintetiza a filosofia do colégio, que tem 2.230 alunos, 680 deles no ensino médio. "Mais do que o conteúdo, ensinamos o saber. Nossos alunos estão preparados para enfrentar situações com crítica e capacidade para resolvê-las", afirmou.   Ele citou como diferenciais do colégio o corpo docente, com professores que permanecem muitos anos na escola e são estimulados a fazerem mestrado e doutorado. A carga horária também é puxada. Desde a 1ª série do ensino médio eles têm um dia de aula à tarde e aos sábados. No terceiro ano, os alunos têm um tempo mais de aula pela manhã, totalizando 35 tempos por semana, além de outros cinco tempos três vezes por semana. Todos os sábados, os vestibulandos fazem provas e simulados.   Mesmo com o alto nível de exigência, o professor Afonso Celso diz que o que mais preocupa o aluno da terceira série é saber que vai deixar a escola. "A última semana de aula é sempre uma choradeira. Esse ano temos 43 alunos que estão conosco desde o primeiro ano (do ensino fundamental)", contou.   Luiza Blanco, de 17 anos, é uma dessas alunas que estão desde o início do ensino fundamental no colégio. Ela pretende fazer vestibular para medicina e quer passar para a UFRJ, mas acredita que uma boa prova do Enem pode aumentar sua tranqüilidade, garantindo logo uma vaga na Uni-Rio, única universidade pública fluminense que aceita o resultado do exame como forma de ingresso.   "Foi a melhor opção, não iria para outro colégio. Aqui eles ensinam muito a disciplina, como devemos estudar e manter o foco e a concentração nos estudos", explicou ela. A rigidez do colégio dos freis agostinianos vem se flexibilizando pelo menos num ponto: a reprovação. Há alguns anos, poucos repetentes podiam permanecer na escola. Agora, Afonso Celso, disse que o aluno só não fica sob três condições: se ele não quiser, se estiver com muita dificuldade em todas as matérias ou se tiver algum grave problema de disciplina.   A mensalidade, entre R$ 828 e R$ 1.277, é uma das mais baixas entre os colégios da zona sul do Rio. O ingresso é através de processo seletivo.   Surpresa   A surpresa do ranking do Enem foi o Mopi, escola da zona norte do Rio, que aparece pela primeira vez entre as primeiras colocadas. A diretora Regina Canedo atribui o resultado ao fato de que essa é a primeira vez que a maioria dos alunos que fizeram a prova é aluna do colégio desde a educação infantil.   "O Enem é um exame que se aplica bastante à forma a qual estamos acostumados a trabalhar. Estimulamos a transdisciplinaridade, o hábito de perguntar, de não ter vergonha de dizer 'não entendi'", disse a diretora. Regina afirma que o Mopi tem uma metodologia diferente das escolas tradicionais porque "não se preocupa apenas em jogar o aluno dentro das universidades federais, mas em ajudá-lo a descobrir a sua verdadeira vocação e qual é o melhor lugar para colocá-la em prática."   Para ela, a escola tradicional só se preocupa em transmitir informações, "mas o aluno de classe média já recebe muitas informações e tem que aprender a filtrá-las". O Mopi também enfatiza as atividades de orientação vocacional, como trabalhos em grupo e dinâmicas. De acordo com Regina, outra preocupação da equipe de professores é fazer da escola um lugar prazeroso.   "Como pode um jovem dizer que não consegue ficar 50 minutos em sala de aula se ele consegue ficar horas no Messenger (programa de troca de mensagens instantâneas no computador)", questionou a diretora. Para aumentar o interesse dos quase 700 alunos, cem deles do ensino médio, todas as lousas são eletrônicas , em que os professores podem apresentar imagens da internet.

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