Três jovens de Diadema vão estudar na França. De graça

Tudo parecia um sonho impossível: deixar a vida de dificuldades financeiras, desemprego e sem perspectivas em Diadema, na Grande São Paulo, para cursar uma universidade na França, com todas as despesas pagas. Mas, depois de vencer quase mil concorrentes e enfrentar testes e avaliações durante quatro meses, três jovens pobres estão arrumando as malas. Letícia, Simone e Reinaldo se mudarão para Montreuil, localizada a 10 km de Paris, na última semana de setembro."Só vou acreditar que não estou vivendo um sonho quando descer do avião", afirma Letícia Macedo, de 23 anos. A viagem e o curso dos jovens é o resultado de um trabalho entre as prefeituras de Diadema e Montreuil, que são cidades irmãs. A parceria entre os municípios começou há oito anos, mas só ganhou força nos últimos quatro."As duas cidades têm muita coisa em comum. São próximas de grandes centros, possuem indústrias de pequeno e médio porte e têm grande preocupação com políticas de inclusão social", afirmou Carlos Kopcak, de 55 anos, secretário de Educação, Cultura, Esportes e Lazer de Diadema.Universidade pública francesaEle reconhece, entretanto, que a terceira maior cidade da região metropolitana de Paris está longe de ter os mesmos problemas sociais de Diadema, onde a maioria dos habitantes é pobre. "Em Montreuil, há muitos imigrantes e negros e a prefeitura desenvolve programas para incluí-los na sociedade. A inclusão social também é a nossa linha de atuação em Diadema", ponderou.Segundo o secretário, os três jovens ficarão um ano estudando francês e se adaptando à nova vida. Depois disso, poderão cursar qualquer universidade pública na França que tenha convênio com a prefeitura de Montreuil. Ao todo, eles deverão permanecer cerca de seis anos na Europa.Trabalho voluntárioDe acordo com a regra do convênio, após esse período, os estudantes têm de voltar ao Brasil. "Quando voltarem, vão prestar trabalho voluntário em Diadema, por dois anos, na área profissional que escolheram."Além disso, durante o tempo em que estiverem no exterior, deverão manter contato assíduo com outros 12 jovens que participaram da última fase do processo seletivo. Esse grupo está cuidando do Centro de Cultura Francesa, inaugurado em Diadema em 1º de agosto.Outros 12 jovensDa França, os três abastecerão o centro com informações. Em julho do ano que vem, os outros 12 jovens também irão para a França, onde trabalharão e estudarão durante o verão.Em uma cidade onde a maioria dos moradores não tem curso superior, a viagem de Letícia, Simone e Reinaldo é motivo de orgulho. "Mostra que estamos trabalhando no caminho certo para reduzir a exclusão social", disse Kopcak.Ao todo, 1.142 pessoas entre 18 e 25 anos se inscreveram no concurso. Desse total, cerca de mil realizaram as provas iniciais. Foram selecionados 50 finalistas, que participaram de testes e dinâmicas. Chegou-se ao número de 15 candidatos e, após outras avaliações, foram escolhidos os vencedores.Clique para ler mais no Letícia: "Ganhei na loteria" Reinaldo: "Não sei se choro ou se dou risada" Simone: "Triste deixar meu País para poder cursar universidade pública" De Diadema para a França

Agencia Estado,

21 de agosto de 2003 | 12h51

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