CLAYTON DE SOUZA/ESTADAO
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‘Tinha várias camas vazias', diz paciente do Hospital Universitário

Moradores lamentam suspensão de serviço no HU; anteriormente, entre entrada e saída, perdia-se menos de uma hora

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

18 Março 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Quando o caso não é grave, o doente fica poucos minutos no pronto-socorro do Hospital Universitário (HU). Após ser informado que urgências e emergências são prioridade, ele é encaminhado para um posto de saúde local. Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), pacientes afirmam que há estruturas desmontadas e parte das camas está vazia.

Segundo funcionários, a redução de atendimento começou no fim do ano passado. Nas últimas semanas, porém, foi intensificada a orientação para encaminhar pacientes a outras unidades de saúde em casos de menor gravidade. Acostumados a buscar atendimento no local, moradores da região se frustram com a medida. 

Foi o caso da veterinária Mireile Santos, de 33 anos. Ela esperou quase três horas na manhã de ontem, mas não conseguiu resolver sua dor de ouvido. “Fui encaminhada para uma AMA (Assistência Médica Ambulatorial). Perdi o trabalho à toa”, reclama. 

Moradora do Jardim Bonfiglioli, também na zona oeste, ela estava acostumada a recorrer ao HU para qualquer problema. “Antes, era menos de uma hora entre chegar e terminar o atendimento”, lembra. 

Na opinião da veterinária, transferir o HU para o Estado, como propõe a reitoria, não resolverá o problema. “O atendimento vai ficar ainda pior.”


Demora. A costureira Nair Modesto, de 55 anos, se surpreendeu com a saída de enfermeiros durante os dez dias em que ficou internada na UTI do hospital, entre o fim de fevereiro e o começo deste mês. “Eles disseram que muitos iam sair nos próximos meses. Alguns nos falaram e se despediram”, conta.

A principal mudança após a saída de parte da equipe, segundo ela, foi a demora maior no atendimento. “Passou a demorar mais para que eles viessem ajudar a gente”, afirma ela, que tem enfisema pulmonar e frequenta o HU há quase 20 anos.

A aposentada Idalina Galiassi, de 72 anos, também ficou na UTI neste mês. “Tinha várias camas vazias, dava para ver de onde eu estava”, relata a idosa, que mora no Jaguaré, também na zona oeste. A idosa orientou a neta a tirar fotos para registrar a situação do HU e divulgar na internet. De acordo com Idalina, a tendência é de que piore ainda mais o atendimento. “É uma pena que isso aconteça”, lamenta. “Minha família sempre veio aqui e teve ótimo atendimento”.

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