Teses brasileiras começam a se abrir na internet

Parte do conhecimento das universidades públicas brasileiras já está na internet. O conteúdo digitalizado das aulas ainda fica restrito aos estudantes matriculados na maioria das faculdades ou não está reunido de forma organizada. Mas muitas teses de mestrado e doutorado e outras obras científicas podem ser baixadas livremente da web.No site do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), do Ministério da Ciência e Tecnologia, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações reúne trabalhos de três universidades: USP, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). A Universidade de Campinas (Unicamp) se prepara para se juntar a elas.O conteúdo armazenado tende a crescer muito, pois quatro universidades já testam um software que servirá para gerenciar e padronizar teses para alimentar o banco de dados da bibiblioteca digital. "Em breve, 130 universidades receberão também o software", afirma Lígia Café, coordenadora do Laboratório Técnico de Informática do Ibict.Interface únicaSegundo Lígia, a vantagem da biblioteca digital do Ibict é que será uma uma interface única para todas as instituições. "Fica mais fácil para o internauta fazer a pesquisa", disse. O site do Ibict (www.ibict.br) não armazena as teses, mas remete à fonte do documento.A USP tem também seu próprio armazém de conhecimento, o Portal Saber (www.saber.usp.br). Ali está a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP, com 1.500 teses."Por causa do direito autoral, essa publicação é voluntária", explica Paulo César Masiero, presidente da Comissão Central de Informática da USP. Nesta semana, o portal está inaugurando outro serviço interessante: a Biblioteca Digital de Obras Raras e Especiais. Serão levadas à internet 38 obras raras, que poderão ser folheadas por qualquer internauta.Livro do século 19Normalmente, o acesso a estas obras costuma ser restrito, por causa da necessidade de conservação e valor da obra. "Imagine que um aluno poderá assistir a uma aula de botânica folheando um livro do século 19", ilustra Masiero. "Desta forma estaremos favorecendo a universalização do conhecimento e a inclusão social."Na área de saúde, há muito material disponível gratuitamente na internet. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) tem se empenhado para levar informação para a internet, tanto para profissionais como leigos.Além de oferecer livre acesso a obras acadêmicas, o site da Unifesp (www.unifesp.br) reúne links para 1.700 revistas médicas, que podem ser lidas gratuitamente. "Não deve haver nenhuma restrição ao acesso deste conteúdo, assim como nada te impede de comprar um livro de medicina", defende Daniel Sigulem, chefe do departamento de informática em saúde da Unifesp.Sem barreirasPara acessar material didático de cursos voltados para estudantes de graduação de Medicina, Enfermagem e outras carreiras da área não há nenhuma barreira no site da Unifesp.Cursos virtuais sobre anatomia patológica, dermatologia, biologia molecular e genética, apesar de voltados para estudantes de graduação, podem ser feitos por qualquer internauta gratuitamente.Mas há cursos mais indicados para o público leigo, como o de sexualidade para adolescentes e dependência de drogas. "Quanto mais o cidadão tiver informação sobre sua saúde, melhor será para a sociedade", disse Sigulem.leia mais em Curso de informática grátis vence estigma de material pobre Dá para ficar poliglota sem gastar dinheiro

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