FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Tentativa de ocupação interrompe reunião na reitoria da USP

Com faixas e tambores, grupo fazia um ato em frente ao prédio da reitoria, onde acontecia a reunião do Conselho

Victor Vieira , O Estado de S. Paulo

07 Abril 2015 | 18h19

Atualizada às 21h11

SÃO PAULO - Uma tentativa de ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) interrompeu uma reunião do Conselho Universitário da instituição, na tarde desta terça-feira, 7. Um grupo com mais de 50 integrantes do movimento estudantil e de coletivos negros tentou invadir o edifício, mas foi impedido pelos seguranças. Eles protestavam pela adoção de cotas raciais.

Com faixas e tambores, o grupo iniciou um ato na frente do prédio da reitoria, no câmpus Butantã, zona oeste da capital, onde o conselho discutia a reforma do Estatuto da USP. Por volta das 16 horas, alguns alunos pularam a catraca do prédio para participar da reunião, e bateram boca com membros da Guarda Universitária.

Ao forçar a entrada no edifício, os manifestantes foram barrados pelos seguranças. Diante do problema, o reitor Marco Antonio Zago decidiu suspender a reunião. Professores que integram o conselho foram escoltados por seguranças para a saída oposta à do grupo.


“Ferveu quando a gente tentou ocupar e os seguranças fecharam a porta. Ficaram dois negros lá dentro e o resto fora”, relatou Marina Dias, aluna de Filosofia e integrante do coletivo Quilombo Raça e Classe. Segundo ela, as cotas raciais são importantes para reduzir a “elitização” da universidade.

Após a saída dos conselheiros, o grupo desistiu da ocupação. A reitoria não se manifestou sobre o protesto e disse que a pauta do encontro será retomada na terça-feira. O tema debatido nesta terça era carreira e regime de trabalho na USP. 

A Guarda Universitária já estuda levar a próxima reunião do conselho para outro prédio para evitar novas tentativas de ocupação. Os estudantes prometem novo protesto no dia. 


Hospital. No fim da manhã, cerca de cem pessoas também protestaram contra a redução de atendimento no Hospital Universitário (HU). O grupo percorreu o câmpus e terminou a marcha na frente da reitoria. 

Os manifestantes pediram a reposição de vagas no HU, que perdeu cerca de 200 servidores após o plano de demissão voluntária (PDV) na USP. Como o Estado mostrou em março, isso fez com que o atendimento no pronto-socorro fosse reduzido e oito leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), fechados. 

“Não houve critérios para fazer a demissão voluntária em cada unidade”, criticou o médico Gerson Salvador. Como o objetivo do PDV era cortar gastos com salários, reposições estão descartadas.

“As outras unidades de saúde locais não comportam a demanda que deixa de ser atendida pelo HU”, afirmou Oscar Martins, representante do Conselho de Saúde da região oeste. De acordo com ele, o problema deve se agravar com o surto de dengue na capital. 

Pouco depois do ato, manifestantes se reuniram com representantes da universidade para discutir a questão.

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