TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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Tempo integral e formação do professor são prioridades, apontam especialistas

Para atenuar prejuízos provocados pela pandemia, é preciso aumentar a jornada e valorizar os docentes

Alex Gomes e Ocimara Balmant, especial para o Estadão

24 de setembro de 2021 | 05h00

Para enfrentar problemas que ganharam proporções colossais, não basta um retorno ao ensino presencial nos moldes do que ocorria até 2019. Viabilizar a educação no pós-pandemia, afirmam os especialistas, exige a ampliação da jornada escolar e a valorização e formação de professores.

“Não dá para gerar um processo profundo de recuperação sem ter mais tempo; (aulas em) tempo integral e um processo forte de recuperação da aprendizagem são os dois grandes pilares que precisamos construir no Brasil”, defende Priscila Cruz, da Todos pela Educação.

Uma construção há tempos atrasada. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, já previa a oferta gradual do ensino integral. Com o Plano Nacional de Educação (PNE), de 2014, a meta é atender pelo menos 25% dos alunos da educação básica em jornadas diárias de sete horas ou mais até 2024. Em 2020, segundo dados do Observatório do PNE, esse porcentual ainda estava em 12,9%.

No Espírito Santo, o governo estadual lançou, em agosto, o Programa Capixaba de Fomento à Implementação de Escolas Municipais de Ensino Fundamental em Tempo Integral (Proeti), que estabelece o repasse direto aos municípios do valor de R$ 3 mil por estudante ao ano, durante três anos.

“É nossa prioridade o apoio ao tempo integral no nível municipal, principalmente para responder à questão da alfabetização”, diz Vitor de Angelo, secretário de Estado da Educação do Espírito Santo.

E quem vai alfabetizar? O professor. Mas não é qualquer professor. É aquele especialista em alfabetização. E é aí que entra outro ponto-chave para a escola pós-pandemia. É preciso investir na formação docente tanto inicial quanto continuada.

Kátia Schweickardt, professora da Universidade Federal do Amazonas e ex-secretária municipal da Educação de Manaus, lembra que a pandemia deixou evidente que o professor é o grande catalisador do processo de ensino. “Todos perceberam que ele não é dispensável. A tecnologia não vai substituir o professor jamais. O volume de informações disponíveis só vira algo útil quando se transforma em conhecimento. E quem pode catalisar o processo de produção de conhecimento de cada aluno é esse sujeito ativo chamado professor.”

Entretanto, completa Kátia, esse professor não é o mesmo de gerações anteriores. “É o professor de 2021, que se dispõe a aprender com o aluno, que entende que o processo de valorização não é só melhoria salarial. Precisamos, sim, de melhoria salarial – é um absurdo que a gente ganhe aqui menos do que todos os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Mas a nossa valorização também passa por termos acesso a formação qualificada.”

Uma formação que, depois da pandemia, precisa ser feita a partir de um currículo atualizado. “Quando a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) foi pensada, não se previa uma pandemia que deixaria o Brasil 18 meses com as salas de aulas fechadas. Precisamos olhar para os currículos, avaliar os alunos, ver as aprendizagens que não foram consolidadas e levar isso em consideração. Propor a formação de professores a partir da realidade do estudante”, diz Priscila Cruz.

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