Tempo bem aproveitado

Universitários trocam estágio por atividades voluntárias; prática começa a ser valorizada em processos seletivos

Carlos Lordelo, Estadão.edu

30 Novembro 2010 | 00h08

Beabá. Carolina ensinou a Maria que escrever exige paciência

 

A estudante de Administração da PUC-SP Carolina Rodrigues, de 20 anos, dedicou uma hora de todas as tardes de terças-feiras este ano para  alfabetizar uma funcionária da limpeza da universidade. Perda de tempo? Não para Carolina, que desde a escola procura fazer atividades voluntárias.

 

“É uma experiência gratificante, porque você faz a diferença na vida de alguém”, diz a professora do Projeto Alfabetização, da PUC Junior. “Alfabetizar a Maria, do Almoxarifado, foi como lhe apresentar um mundo novo.”

 

Prática comum entre os jovens americanos, o trabalho voluntário ainda não tem muito espaço na agenda de universitários brasileiros nem é algo de destaque no currículo, embora as empresas, aos poucos, comecem a prestar atenção nos candidatos a vagas de trainee e estágio que fazem esse tipo de atividade.

 

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Nada disso desestimula gente como a aluna de Letras da USP Jéssica Oliveira, de 21 anos. Por seu trabalho na favela São Remo, vizinha à Cidade Universitária, ela passou quatro meses na Alemanha, com todos os custos pagos, conhecendo projetos de entidades civis.

 

Voluntária do Projeto Alavanca, focado na formação de líderes comunitários, Jéssica voltou da Europa com a função de implantar em uma escola pública no Jardim Bonfiglioli, na zona oeste, a metodologia de ensino experimental.

 

“O voluntariado foi melhor do que se eu tivesse estagiado em uma editora. Aprendi muito mais”, diz.

 

Voluntário veterano. O bancário Hiroki Shimizu, de 30 anos, entrou para a Aliança Beneficente  Universitária (Abeuni) há 11 anos, quando era calouro de Publicidade e Propaganda da Cásper Líbero.

 

Hiroki hoje preside a entidade formada por cerca de 200 pessoas, entre universitários e profissionais de diferentes áreas. “Entrei na Abeuni procurando oba-oba. Mas a vivência na associação me ensinou a dar valor às coisas.”

 

A principal ação da entidade são as caravanas da saúde em regiões carentes da Grande São Paulo. Em parceria com prefeituras, os voluntários passam nove dias dos meses de janeiro e julho realizando atendimentos médicos, odontológicos e orientando a população sobre prevenção a doenças.

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