RAFAEL ARBEX ESTADAO
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Redação do Enem é mais fácil do que em 2014, diz professor

Violência contra a mulher é o assunto escolhido para esta edição; mais de 7 milhões se inscreveram para fazer prova neste domingo

Guilherme Mendes; Thales Schmidt, Especial para O Estado

25 Outubro 2015 | 15h33

SÃO PAULO - O tema 'Persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira', escolhido para a Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2015, não deve trazer grandes dificuldades aos candidatos, segundo professores de cursinho ouvidos pelo Estado. A ampla divulgação do assunto na mídia, dizem, facilita na construção de argumentos e de propostas de soluções no texto. Os estudantes fazem a prova neste domingo, 25.

"É um tema mais fácil que os três últimos anos, porque é mais palpável", diz Eduardo Calbucci, supervisor de português e redação do Curso Anglo, que elogiou a escolha. "Espero que os estudantes entrem na universidade conhecendo o machismo e sabendo que ele existe", afirma.

A criação de mais delegacias da mulher e a não culpabilização da vítima são alguns dos possíveis encaminhamentos para o texto, segundo Calbucci. Diferentemente de outros vestibulares, o Enem cobra que o candidato apresente soluções para o tema proposto na Redação. Já a negação do cenário de violência contra a mulher no País, destaca, pode levar a notas baixas, por mostrar que o candidato está "descolado da realidade."

A professora de redação do Curso e Colégio Objetivo, Maria Aparecida Custódio, é outra que vê uma redação mais fácil de ser construída. “O candidato vai encontrar uma dificuldade bem menor do que em 2014 (quando o tema da redação tratava de publicidade infantil). No ano passado, ele podia se posicionar a favor ou contra”, explica. ”Neste ano, é um tema indefensável. O próprio assunto já encaminha o candidato para que a violência não apenas existe, mas persiste, e que é uma prática que não é combatida.”

Atual. Além dos conteúdos de História, Sociologia e Literatura, aponta Maria Aparecida Custódio, o domínio de referências atuais, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio (aprovada neste ano no Congresso), vai ajudar o candidato na argumentação. 

Simone Motta, professora e coordenadora de Português do Curso Etapa, também acredita que o conhecimento prévio dos estudantes sobre o assunto é uma vantagem para os participantes. "(A violência contra a mulher) é considerado um ‘tema-problema’, o que significa que foi debatido, em maior ou menor escala, na sociedade", explica. 


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