Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Tecnologia vira disciplina em cursos de finanças

Faculdades que preparam profissionais para o mercado financeiro em São Paulo ensinam linguagem de programação ao longo do curso

Tulio Kruse, especial para O Estado de S. Paulo

10 Julho 2018 | 03h00

Grupos de pesquisa aplicada em programação, aulas em laboratórios de informática e parcerias entre faculdades e empresas com foco no aprendizado de novas tecnologias. A descrição parece a de um curso em Ciência da Computação mas, na verdade, retrata a realidade de alguns departamentos de Economia. Em São Paulo, os cursos que têm foco na preparação de profissionais para o mercado financeiro estão passando por mudanças intensas.

As escolas de negócios têm apostado no uso de tecnologia para simular situações que os alunos encontram na vida profissional. Em alguns cursos, o ensino de linguagens de programação já começa no primeiro semestre, e é cobrado ao longo da graduação em disciplinas da área de Finanças.

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“A interação com ferramentas de programação é um elemento que, até recentemente, não estava no escopo dos profissionais de negócio”, diz o coordenador do curso de Economia do Ibmec, Rodrigo Ferreira, que percebe um aumento dessa tendência há cerca de cinco anos no País. “A escola de negócios tem de se reconhecer cada vez mais como um hub que conecta mercado, investidores, instituições relevantes, alunos, e a comunidade estendida da escola.”

Linguagem. Na faculdade, um núcleo de pesquisa tem usado a computação para criar produtos para o mercado financeiro. Os alunos aprendem a escrever linhas de código da linguagem R, que pode ser utilizada para cálculos estatísticos e gráficos. Uma das metas do grupo é, nos próximos meses, desenvolver um mercado virtual para obras de arte, semelhante a uma bolsa de valores.

“Como a gente acha que essa habilidade pode ser de extrema relevância para o nosso futuro, nos juntamos nesse núcleo”, afirma o estudante Téo Cortada, que está no 1.º ano de Economia e participa do grupo. O aluno não pensa em se especializar em linguagens de computador, mas reconhece a importância da habilidade para exercer sua profissão no futuro. 

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“A programação é uma linguagem que pode te ajudar a otimizar vários processos dentro do seu trabalho. Acho que um método para me tornar mais produtivo é aprender a programar”, acredita.

Integração. O aumento da colaboração e das trocas de informações também tem sido uma estratégia dos cursos com foco no mercado financeiro para se manterem atualizados, segundo especialistas. Isso envolve tanto cooperação entre as instituições de ensino quanto parcerias de escolas com empresas. 

“As instituições (de ensino), em geral, estão descobrindo que, sozinhas, não conseguem correr atrás da inovação – tem de ser em grupo”, opina o professor Newton Campos, representante da IE Business School no Brasil. “Eu tenho visto cada vez mais intercâmbio de alunos e professores, acho isso muito saudável. O ponto é: a gente deveria fazer mais ainda.”

Menos conhecida no Brasil, a IE Business School é uma escola de negócios da Espanha com escritórios de representação em diversos países, que serve para atender interessados nos cursos da instituição no exterior, firmar parcerias e se conectar com a comunidade de egressos da IE ao redor do mundo. Ainda não há cursos no País.

No Insper, há planos para aumentar a cooperação entre os cursos de Engenharia e Economia. “Acho que o caminho é esse, é poder juntar uma disciplina que tenha alunos de Engenharia e de Economia. Uma eletiva, por exemplo”, conta o professor responsável pela área de Finanças, Adhemar Villani.

Mudanças na academia:

Programação: Alunos em cursos como Economia e Administração têm aulas focadas em linguagens digitais 

Parcerias: Escolas e empresas têm formado mais convênios e programas com foco em pesquisa e inovação

Novos temas: Criptomoedas, Big Data e sustentabilidade financeira estão entre as novidades nos cursos

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