THOMAS PARK/UNSPLASH
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Tecnologia, de vilã a aliada dos professores para engajar alunos

Ferramentas digitais, como redes sociais, são cada vez mais usadas para fins pedagógicos

Alex Gomes e Ocimara Balmant, especial para o Estadão

24 de setembro de 2021 | 05h00

Dá para aprender crase no Tik Tok? Claro que dá. E ensinar algo produzindo um videoclipe? Também dá. Se, no início da pandemia, pode ter havido resistência dos professores aos formatos digitais, este um ano e meio de aulas remotas serviu para quebrar paradigmas. Uma pesquisa da Fundação Lemann mostrou que 81% dos educadores reconhecem a tecnologia como grande aliada na promoção de um aprendizado mais ativo e que 73% dos docentes brasileiros pretendem utilizar mais tecnologia no ensino do que antes do contexto de pandemia.

O desafio é estar familiarizado com os recursos tecnológicos, ficar atento às dificuldades que podem surgir no novo formato e, principalmente, dominar as técnicas que mantêm os alunos concentrados e engajados no aprendizado.

“Em uma aula online, quando explico um conteúdo que é difícil para o estudante entender, preciso repetir várias vezes, com uma entonação diferente; tenho de ter uma expressão diferente. Também uso o (aspecto) lúdico que a internet permite, como fazer um clipe, colocar legendas, usar e abusar de recursos de edição de vídeo”, conta Noslen Borges de Oliveira, professor de Língua Portuguesa e youtuber de educação.

Quanto às ferramentas digitais, uma boa dica é adaptar o ditado “em Roma, faça como os romanos”. Com a presença massiva de alunos em redes sociais, professores vêm descobrindo como explorá-las para usos pedagógicos.

“Antes da pandemia, 68% dos estudantes de escolas urbanas já utilizavam redes sociais para fazer as tarefas escolares. Durante a pandemia, as próprias escolas oficializaram esse uso das redes, e 91% delas utilizaram o WhatsApp nas comunicações com alunos e pais, por exemplo”, afirma Daniela Costa, coordenadora do projeto TIC Educação, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

As ferramentas digitais também podem auxiliar em um dos principais desafios dos professores: promover metodologias ativas e tornar o aluno protagonista de sua própria aprendizagem. Os estudantes podem, por exemplo, planejar e produzir conteúdos a serem publicados em uma plataforma virtual, com recursos audiovisuais diversos e adaptáveis aos mais variados dispositivos, o que pode facilitar o compartilhamento com familiares e amigos.

“Posso dizer ao aluno: ‘Faça um roteiro para o TikTok com conteúdo sobre o uso da crase’. Assim, ele vai fazer uma pesquisa sobre a crase, com elementos para construir isso. Quando o estudante bota a mão na massa, ele aprende, guarda e não mais esquece. Temos de propor atividades para que o aluno construa, e sejamos mediadores”, observa Oliveira.

Inteligência artificial. Na fusão entre tecnologia e educação, a inteligência artificial tende a ser grande aliada na otimização de tarefas dos educadores. “Essa tecnologia envolve uma automação que pode reduzir o tempo gasto pelo professor em atividades que não envolvam a interação com os alunos”, comenta Rafael Marangoni, CEO da BRLink.

Na Gran Cursos Online, a tecnologia agilizou a transformação de 28 mil livros para o formato de áudio, ampliando a acessibilidade do conteúdo. “Com inteligência artificial fizemos a customização léxica, controle de aspectos da fala como volume, tom e velocidade. Tudo para deixar com aparência natural”, conta Rodrigo Calado, cofundador da plataforma.

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