Teatro junta 500 estudantes em SP

Na tarde ensolarada de domingo, a algazarra de vozes, risadas, palmas, gritos e correrias podia ser ouvida a distância e chamava atenção de quem passava em frente do número 1.100 da Rua Guaicurus, endereço do espaço cultural Tendal da Lapa. Lá dentro, cerca de 500 jovens - 473 assinaram a lista de presença - aqueciam corpos e mentes para participar de um encontro do Programa de Teatro Vocacional.Antes de mais nada, teatro vocacional é o nome utilizado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo para teatro amador. "Há duas justificativas para essa troca de nome", explica a atriz Maria Ceccato, coordenadora do programa. "Em primeiro lugar, vocacional é o termo utilizado em toda a América Latina. E foi escolhido com o intuito de mudar o estigma de arte menor - e não apenas diferente - que ainda cerca o teatro amador."ProgramaCom orçamento anual de R$ 318 mil, o programa foi criado pelo atual secretário municipal de Cultura Celso Frateschi, em 2001, quando ainda era diretor do Departamento Municipal de Teatro, com o objetivo é orientar a produção amadora já existente em diferentes comunidades.Para isso, foram contratados artistas-orientadores para trabalhar em bibliotecas e casas de culturas. "Atualmente, esses orientadores são em número de 35, atuando em 16 bibliotecas municipais, 11 casas de cultura, 2 escolas secundárias e no Teatro Alfredo Mesquita.Alguns locais, como a Casa de Cultura de Santo Amaro, abrigam mais de um grupo. Há uma flutuação natural, mas no fim do ano passado registramos 1.094 pessoas envolvidas", diz Maria.Troca de experiênciasA reunião de domingo não tinha como objetivo mostra de espetáculos, porém a troca de experiências entre grupos. "É importante para eles perceber que fazem parte de um projeto maior."Eram 15 horas no Tendal da Lapa. A maioria havia chegado bem antes da hora marcada - 14h30 - e muitos aproveitaram o tempo para dançar, cantar, conversar, paquerar. De óculos, um garoto mais retraído chamava atenção. Era Paulo César da Costa, de 13 anos, freqüentador da Biblioteca Hans Cristian Andersen, no Tatuapé."Comecei a fazer teatro porque todos os meus colegas também estavam fazendo", justifica. "Até agora a gente cantou, fez atividades. Mas neste ano acho que vamos montar uma peça com o Manoel (o ator e orientador Manoel Boucinhas).CenasPouco depois das 15 horas, alertados pelos coordenadores, formam pequenos círculos, de acordo com as regiões em que trabalham, delimitadas em cartazes de cartolina espalhados pelo local. Cada círculo une atores de diferentes grupos.Ao fim, cada grupo faz um pequeno relatório sobre a experiência. E, para encerrar, assistem a apresentação de cenas do espetáculo João Cândido do Brasil, A Revolta da Chibata, do Grupo União e Olho Vivo, o mais antigo grupo amador paulistano.

Agencia Estado,

03 de julho de 2003 | 14h50

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